sábado, 31 de outubro de 2009 0 comentários

Cofre dos Porquês


Ao dobrar numa rua escura, Murilo, andando distraído e despreocupado, topa em um objeto que se assemelha a um rolo de cartas. Apanha-as e constata que são várias cartas escritas num papel simples, que já se fazem amareladas pelo tempo e pela lama da rua. Vira-as de um lado para o outro, atrás de um endereço para que possa identificá-las; mas, o que vê, causa-o pavor, levando-o a jogar as cartas no chão; e devagar, recua até alcançar a rua por onde andava antes de entrar nessa outra. 


Chegando a um bar próximo dali, pediu uma cerveja e ficou, de quando em quando, olhando para a entrada daquela rua sinistra e pavorosa, com o receio de que alguém de repente saísse dali, e caminhasse em direção a ele com aquelas cartas na mão. Virou-se para o outro lado, e ficou olhando dois homens que estavam conversando muito próximos um do outro; parecia que o olhavam e depois tornavam a cochichar algo sobre ele.


- O tempo está estranho, pensou Murilo - Não consigo acreditar no que acabou de acontecer. Aquelas cartas eram para mim! 


Realmente as cartas eram para ele e estavam datadas no ano em que nasceu, há cerca de vinte anos atrás. Depois de pagar a conta, Murilo encaminhou-se para seu destino, porém, evitou passar por aquela rua que acontecera tamanho absurdo. Nem cogitava imaginar o porquê daquilo tudo; pior, nem despertava a curiosidade natural que nos acomete nesses casos: tudo que ele queria era correr dali!


Saber? Para quê? Antigamente, naquela rua, funcionava um famoso bordel. Quantas mulheres maravilhosas haviam ali!, era o que todos falavam. Murilo passou por ali e nunca mais voltou.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009 0 comentários

Casa própria

Nunca pensei que fosse tão difícil realizar a vontade de ter uma casa própria. Como não sou rico, nem tenho previsões de que isso vá acontecer nos próximos anos, pois não jogo na mega sena e não tenho no sangue, o empreendedorismo de outros, tenho que entrar no financiameno da Caixa Econômica para adquirir o referido Bem. Mas, como as coisas nunca parecem fácil na primeira impressão, se tornam complicadíssimas quando encaradas de frente e a fundo. Há vinte três dias que a Caixa está em greve aqui em Fortaleza, e pelo que acompanho no site do Sindicato dos Bancários do Ceará, a coisa ainda vai se estender por algum tempo. Tudo bem que já peguei um prazo longo da construtora; passei por uma greve da Secretaria das Finanças de Fortaleza; agora, vamos entrar no vigésimo quarto dia da greve dos bancários da Caixa aqui no estado, e, se tudo correr como vem se apresentando, até o Natal estarei em casa. Amém.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009 0 comentários

As duas realidades do Brasil


Há, nitidamente, dois países dentro do Brasil: um que já é considerado um país de primeiro mundo, e outro, menos atrativo, considerado por muitos um país atrasado do terceiro mundo. O que está no primeiro mundo goza de prestígio internacional de proporções inimagináveis há alguns anos atrás; tem a oitava economia do planeta; podendo alcançar a quinta posição, logo que o pré-sal comece a jorrar da terra, para a alegria dos que estão no topo da pirâmide especulativa do mercado financeiro. E como se dá essa disparidade? O país está nitidamente, dentro do hall dos que mais avançaram, tecnologicamente e economicamente. Polarizaram-se os mercados que compram os produtos brasileiros, acabando, assim, a hegemonia norte- americana, de únicos compradores potenciais. Onde estiver uma economia forte, lá estará um empresário brasileiro, ou mesmo o Estado brasileiro, fazendo acordos, fechando negócios de milhões de dólares. O outro, vive uma realidade que já dura, anos e anos de enorme descaso social, agravado pelo paradigma totalizante do viés mercadológico e financeiro. A distribuição de renda caminha a passos de bicho-preguiça com relação aos enormes avanços econômicos. Caracteriza-se, assim, um país com um PIB fabuloso, de país desenvolvido, mas por outro lado a marca do terceiro mundo de maneira cruel e desumana.

 
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