terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Transparência, ainda que tardia!

Quando começamos a cursar a faculdade de jornalismo e a estudarmos a História do Jornalismo, revisamos todo aquele período em que os jornalistas tinham a difícil tarefa de dar transparência aos atos públicos, para que o cidadão tivesse conhecimento do que ocorria por detrás daquelas portas inacessíveis.

Não raro, esses profissionais eram enxotados dos gabinetes, recebendo por vezes várias alcunhas depreciativas, como abutres ou carcarás - para ficarmos nesses dois exemplos -, somente porque queriam fazer o seu trabalho: o de informar ao povo.

 Atualmente, muitos ainda recebem esses impropérios – merecidos, por sinal – pela conduta, digamos, um pouco exagerada de alguns profissionais. Concluímos que a tarefa de tornar transparente para a população, tudo que acontece na esfera dos três poderes da nossa República, tornava-se algo muito trabalhoso, e, muitas das vezes, nada compensador, para os espíritos menos calejados.

Tudo é diferente no presente. As histórias dos alvitres com os poucos renomados pássaros que nossa classe sofria até então, estão cada vez mais num passado distante.

 Hoje, as ferramentas tecnológicas possibilitaram aos Poderes, acesso direto com as pessoas. Estão permanentemente ligadas, sem intermediários, ao fórum onde se reúne a opinião pública – ou pelo menos, uma pequena parte dela, por enquanto.

 Torna-se quase imperativo, por exemplo, que o Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da nossa Justiça, tenha um perfil no Twitter - assim como o Executivo e o Legislativo, do mesmo modo - para tornar públicas as suas decisões; expor sua jurisprudência em determinado caso, ou simplesmente anunciar sua agenda de pauta de votação do dia para quem estiver disposto a conhecer.

Até nas decisões mais polêmicas, envolvendo a concessão de habeas corpus para pessoas já tidas pela sociedade como inegavelmente culpadas, não ficam mais nas gavetas obscuras do trâmite judiciário: a decisão é repassada para os seguidores da rede social, mesmo sabendo da repercussão negativa, que ela por ventura venha a ter. Coisa inimaginável há uma década.

Enfim, podemos esperar que as novas ferramentas tecnológicas possam nos mostrar, finalmente, como exercer a tão almejada Democracia, onde todos podem opinar, dentro das responsabilidades, e, principalmente, conhecer a fundo todas as estruturas das nossas instituições públicas.

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