quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Vozes de despedida

Em um instante, o que antes era um belo e inspirador mar verde de árvores, antigas, talvez centenárias, transforma-se em ruínas, cor de terra batida misturada com galhos cortados e entulho. É assim que o homem vai transformando o lugar onde vive. Derrubando uma árvore aqui, construindo um empreendimento ali, patrocinando o progresso, ah! o progresso, que vai sempre para a frente!, e escrever assim não é redundância, não, é um certo ar de deboche mesmo, e o barulho do progresso ecoa longe, ao longe escutamos as máquinas trabalhando em ritmo alucinante, pah, pah, pah... madeiras ao chão, e do que antes existia de um velho bosque, uma pequena estrada sinuosa, não resta senão uma enorme clareira, que a seu tempo abrigará um monstrengo feito de pedra, cimento e entulho. Outras pessoas virão a ocupar aquele lugar, e quando acordarem num belo dia de domingo, quando abrirem suas janelas para receberem a suave brisa que vem do litoral, não perceberão, jamais, que dos galhos das antigas árvores que restaram ressoam, não o canto de acolhimento, de boas vindas, mas o canto lúgubre de despedida para as que partiram.


0 comentários:

 
;