terça-feira, 3 de agosto de 2010

Re-seita

Hamilton Sobreira - Advogado

 

O cara tinha 17 anos, meados da década de 90. Como todos os adolescentes daquela época, tinha lido Feliz Ano Velho e o Alquimista. Filho de pais separados (naqueles anos já era meio que regra); por razões que não se explicam não obteve êxito no primeiro vestibular. A soma deste e de vários fatores o fez sonhar ainda mais...

Trazido pelas águas de março, recebe um panfleto que sintetiza suas aspirações. Alquimia... auto conhecimento, viagem astral... enfim, coisas que são instigantes. Coisas que não se tem resposta e muitos assumem saber a realidade de tudo o que acredita, costumo chamar este tipo de gente de "equivocados sinceros".

Voltemos ao "cara" envolto em um alo de descobertas. Filosofia aparentemente voltada para a boa conduta. Em troca de "sabedoria" bastava uma contribuição simbólica mensal. Que sua mesada cobria muito bem.

Resumindo a estória, anos passaram e aprendeu como criar um ídolo, principais pontos de alerta:

1. Manter a distância (para que seus seguidores não vejam seus defeitos);

2. Atribuir uma culpa inexistente (para que todos se sintam culpados de algo que não fizeram);

3. Criar regras e delatores;

4. Atribuir hierarquia (para incentivar o seguimento das regras);

5. Criar dependência emocional (isso é o mais importante);

6. A síndrome de Estocolmo também se aplica aqui (ou seja, o líder pode ser bem rude e alternar com momentos de descontração, pois esses momentos raros serão um alento para os seguidores);

7. Manter certos segredos ainda que não existam;

8. Afirmar que o grupo é diferente;

9. Erros dos outros são erros, erros nossos são por uma razão superior;

10. Somos, de certa forma, perseguidos precisamos ser fortes;

11. Disciplina, disciplina;

12. Dormir pouco;

13. Ajudar a instituição seja com dinheiro seja com trabalhos físicos, enfim, você será beneficiado um dia;

14. Criar um elo como espécie de irmandade;

15. Criar um certo medo de que saiam da instituição; e

16. A família já não é tão importante.

Pronto, você agora está apto para identificar uma seita, salvo se você estiver dentro dela...

Em muitos destes pontos, iguala algumas instituições com supostos fins religiosos a outros grupos não menos ortodoxos: nazistas, facistas, etc etc...

Ao final, o cara ao perceber (o que não é fácil) soube que todos têm seu ópio. Livre-se do seu.


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