sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Carta para o meu presidente

Senhor presidente, a despeito dos muitos pedidos dos brasileiros para que eu possa ser acolhida naquele imenso e belo país, rogo-lhe que assim não o faça. Quero passar os últimos momentos da minha vida, mesmo que poucos, junto dos meus irmãos de fé e religião. Entendo as minhas faltas, assim como compreendo o meu destino. Não fiz nada o que me arrependa, pois em tudo tive o coração como guia, pois ELE não nos fala através do coração? Mas não quero o meu país e minha gente distante de mim. Sei que no Brasil hão de me restituir à vida, pois não serei conduzida à morte. Mas somente não a serei em morte física. A minha alma, andando por entre eles, estará morta. Meu espírito estaria sempre aflito no país em que não se apedreja ninguém com uma condenação: apedrejam sem mesmo uma condenação qualquer! Apedrejar-me-iam às escondidas nos shoppings, nos longos calçadões a beira-mar, em casa, na rua, em qualquer lugar em que eu estivesse. Hipócritas, as mães falariam para suas filhas, ou amigas 'tá vendo aquela mulher de burca?... traiu os maridos... esse país recebe cada uma!...' Não perdoam ninguém. Prejulgam com a mesma facilidade com que jogamos pedras nas pobres condenadas do nosso país. Mas, essas tiveram uma condenação justa, conforme as nossas leis. Talvez, lá, me jogassem pedras também, por que não!... nada os impediriam; jogariam e se esconderiam, como covardes. E por motivos que eles próprios praticam às escondidas. Por isso, peço-lhe, senhor Presidente, reveja minha extradição para aquele país! Que apesar de tão grandioso, impossível seria eu conseguir viver em companhia de pessoas de tão repulsiva pobreza de espírito.  Que Alá proteja-nos a todos. ELE é grande.

Sakineh Mohammadi Ashtiani

Irã, Agosto de 2010


0 comentários:

 
;