sexta-feira, 23 de julho de 2010

Encontros

      Ele chegou, e adentrou aquele pequeno espaço, com olhos argutos, a procurar uma cadeira e uma mesa para se sentar. Escolheu uma mesa oposta à porta de entrada. Um canto miserável, escuro; onde a luz do poste sofria para adentrar pela janela. Puxou a cadeira e desfaleceu de cansaço. Olhou ao redor; todos os outros dançavam no centro do recinto, mas ele somente notou verdadeiramente a mulher de vermelho. Boca pintada, cores fortes nas bochechas e nos olhos. Na face, a cupidez; noites e noites de um amor nunca correspondido. No outro canto, junto à porta, homens descuidados; dormindo com a testa colada à madeira da mesa. Faziam a alegria dos ratos que rondam essas mesas desprotegidas. De repente, aquela música!... Então os pés dançaram, o corpo mexeu, a boca abriu-se para cantar, e a voz era divina. Aproximou-se dele, sussurrou em seu ouvido poemas da canção; envolveu-o em seus braços. Ele apontou a cadeira da mesa ao lado. Sem problemas. Na mesa, apenas um rapazote, com a cabeça pendendo para trás; braços estirados, semi-inconsciente, com um copo na mão. Ela sentou. Ele pediu uma bebida. As horas já se adiantavam. Seus risos ecoaram por toda noite, ao sobejo de aguardentes velhas, no odor abrasivo dos cigarros, com muita música, que ganhava o céu estrelado, saindo pela única janela do casebre, procurando, lá fora, a fria noite do sertão, tendo apenas a luz, fraquíssima, do poste, a iluminar o bar, a rua, e a muito custo, os dois amantes.    


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