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quarta-feira, 16 de novembro de 2011 0 comentários

Meu encontro com Nem

Por Ruth Aquino
Revista Época

Era sexta-feira 4 de novembro. Cheguei à Rua 2 às 18 horas. Ali fica, num beco, a casa comprada recentemente por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, por R$ 115 mil. Apenas dez minutos de carro separam minha casa no asfalto do coração da Rocinha. Por meio de contatos na favela com uma igreja que recupera drogados, traficantes e prostitutas, ficara acertado um encontro com Nem. Aos 35 anos, ele era o chefe do tráfico na favela havia seis anos. Era o dono do morro.
Queria entender o homem por trás do mito do "inimigo número um" da cidade. Nem é tratado de "presidente" por quem convive com ele. Temido e cortejado. Às terças-feiras, recebia a comunidade e analisava pedidos e disputas. Sexta era dia de pagamentos. Me disseram que ele dormia de dia e trabalhava à noite – e que é muito ligado à mãe, com quem sai de braços dados, para conversar e beber cerveja. Comprou várias casas nos últimos tempos e havia boatos fortes de que se entregaria em breve.
Logo que cheguei, soube que tinha passado por ele junto à mesa de pingue-pongue na rua. Todos sabiam que eu era uma pessoa "de fora", do outro lado do muro invisível, no asfalto. Valas e uma montanha de lixo na esquina mostram o abandono de uma rua que já teve um posto policial, hoje fechado. Uma latinha vazia passa zunindo perto de meu rosto – tinha sido jogada por uma moça de short que passou de moto.
Aguardei por três horas, fui levada a diferentes lugares. Meus intermediários estavam nervosos porque "cabeças rolariam se tivesse um botãozinho na roupa para gravar ou uma câmera escondida". Cheguei a perguntar: "Não está havendo uma inversão? Não deveria ser eu a estar nervosa e com medo?". Às 21 horas, na garupa de um mototáxi, sem capacete, subi por vielas esburacadas e escuras, tirando fino dos ônibus e ouvindo o ruído da Rocinha, misto de funk, alto-falantes e televisores nos botequins. Cruzei com a loura Danúbia, atual mulher de Nem, pilo-tando uma moto laranja, com os cabelos longos na cintura. Fui até o alto, na Vila Verde, e tive a primeira surpresa.

Não encontrei Nem numa sala malocada, cercado de homens armados. O cenário não podia ser mais inocente. Era público, bem iluminado e aberto: o novo campo de futebol da Rocinha, com grama sintética. Crianças e adultos jogavam. O céu estava estrelado e a vista mostrava as luzes dos barracos que abrigam 70 mil moradores. Nem se preparava para entrar em campo. Enfaixava com muitos esparadrapos o tornozelo direito. Mal me olhava nesse ritual. Conversava com um pastor sobre um rapaz viciado de 22 anos: "Pegou ele, pastor? Não pode desistir. A igreja não pode desistir nunca de recuperar alguém. Caraca, ele estava limpo, sem droga, tinha encontrado um emprego... me fala depois", disse Nem. Colocou o meião, a tornozeleira por cima e levantou, me olhando de frente.
Foi a segunda surpresa. Alto, moreno e musculoso, muito diferente da imagem divulgada na mídia, de um rapaz franzino com topete descolorido e riso antipático, como o do Coringa. Nem é pai de sete filhos. "Dois me adotaram; me chamam de pai e me pedem bênção." O último é um bebê com Danúbia, que montou um salão de beleza, segundo ele "com empréstimo no banco, e está pagando as prestações". Nem é flamenguista doente. Mas vestia azul e branco, cores de seu time na favela. Camisa da Nike sem manga, boné, chuteiras.
– Em que posição você joga, Nem? – perguntei.
– De teimoso – disse, rindo –, meu tornozelo é bichado e ninguém me respeita mais em campo.
Foi uma conversa de 30 minutos, em pé. Educado, tranquilo, me chamou de senhora, não falou palavrão e não comentou acusações que pesam contra ele. Disse que não daria entrevista. "Para quê? Ninguém vai acreditar em mim, mas não sou o bandido mais perigoso do Rio." Não quis gravador nem fotos. Meu silêncio foi mantido até sua prisão. A seguir, a reconstituição de um extrato de nossa conversa.
Acho que em menos de 20 anos a maconha vai ser liberada no Brasil. Já pensou quanto as empresas iam lucrar? "
Nem, líder do tráfico 
UPP "O Rio precisava de um projeto assim. A sociedade tem razão em não suportar bandidos descendo armados do morro para assaltar no asfalto e depois voltar. Aqui na Rocinha não tem roubo de carro, ninguém rouba nada, às vezes uma moto ou outra. Não gosto de ver bandido com um monte de arma pendurada, fantasiado. A UPP é um projeto excelente, mas tem problemas. Imagina os policiais mal remunerados, mesmo os novos, controlando todos os becos de uma favela. Quantos não vão aceitar R$ 100 para ignorar a boca de fumo?"
Beltrame "Um dos caras mais inteligentes que já vi. Se tivesse mais caras assim, tudo seria melhor. Ele fala o que tem de ser dito. UPP não adianta se for só ocupação policial. Tem de botar ginásios de esporte, escolas, dar oportunidade. Como pode Cuba ter mais medalhas que a gente em Olimpíada? Se um filho de pobre fizesse prova do Enem com a mesma chance de um filho de rico, ele não ia para o tráfico. Ia para a faculdade."
Religião "Não vou para o inferno. Leio a Bíblia sempre, pergunto a meus filhos todo dia se foram à escola, tento impedir garotos de entrar no crime, dou dinheiro para comida, aluguel, escola, para sumir daqui. Faço cultos na minha casa, chamo pastores. Mas não tenho ligação com nenhuma igreja. Minha ligação é com Deus. Aprendi a rezar criancinha, com meu pai. Mas só de uns sete anos para cá comecei a entender melhor os crentes. Acho que Deus tem algum plano para mim. Ele vai abrir alguma porta."
Prisão "É muito ruim a vida do crime. Eu e um monte queremos largar. Bom é poder ir à praia, ao cinema, passear com a família sem medo de ser perseguido ou morto. Queria dormir em paz. Levar meu filho ao zoológico. Tenho medo de faltar a meus filhos. Porque o pai tem mais autoridade que a mãe. Diz que não, e é não. Na Colômbia, eles tiraram do crime milhares de guerrilheiros das Farc porque deram anistia e oportunidade para se integrarem à sociedade. Não peço anistia. Quero pagar minha dívida com a sociedade."
Drogas "Não uso droga, só bebo com os amigos. Acho que em menos de 20 anos a maconha vai ser liberada no Brasil. Nos Estados Unidos, está quase. Já pensou quanto as empresas iam lucrar? Iam engolir o tráfico. Não negocio crack e proíbo trazer crack para a Rocinha. Porque isso destrói as pessoas, as famílias e a comunidade inteira. Conheço gente que usa cocaína há 30 anos e que funciona. Mas com o crack as pessoas assaltam e roubam tudo na frente."
Recuperação "Mando para a casa de recuperação na Cidade de Deus garotas prostitutas, meninos viciados. Para não cair na vida nem ficar doente com aids, essa meninada precisa ter família e futuro. A UPP, para dar certo, precisa fazer a inclusão social dessas pessoas. É o que diz o Beltrame. E eu digo a todos os meus que estão no tráfico: a hora é agora. Quem quiser se recuperar vai para a igreja e se entrega para pagar o que deve e se salvar."
Ídolo "Meu ídolo é o Lula. Adoro o Lula. Ele foi quem combateu o crime com mais sucesso. Por causa do PAC da Rocinha. Cinquenta dos meus homens saíram do tráfico para trabalhar nas obras. Sabe quantos voltaram para o crime? Nenhum. Porque viram que tinham trabalho e futuro na construção civil."
Policiais "Pago muito por mês a policiais. Mas tenho mais policiais amigos do que policiais a quem eu pago. Eles sabem que eu digo: nada de atirar em policial que entra na favela. São todos pais de família, vêm para cá mandados, vão levar um tiro sem mais nem menos?"
Tráfico "Sei que dizem que entrei no tráfico por causa da minha filha. Ela tinha 10 meses e uma doença raríssima, precisava colocar cateter, um troço caro, e o Lulu (ex-chefe) me emprestou o dinheiro. Mas prefiro dizer que entrei no tráfico porque entrei. E não compensa."
Nem estava ansioso para jogar futebol. Acabara de sair da academia onde faz musculação. Não me mandou embora, mas percebi que meu tempo tinha acabado. Desci a pé. Demorei a dormir.
quarta-feira, 13 de julho de 2011 0 comentários

Polícia plantou droga em carro de Cabrini, conclui Corregedoria

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo concluiu que o jornalista Roberto Cabrini foi vítima de uma armação em 2008, quando foi preso por tráfico de drogas. Na época, o jornalista fazia uma reportagem sobre o tema e foi encontrado com dez papelotes de cocaína no interior de seu carro. De acordo com a Corregedoria, a droga foi "plantada" no carro do repórter - e atual apresentador do programa Conexão Repórter - do SBT. Segundo a Corregedoria, seis policiais, um delegado, uma comerciante e um empresário estariam envolvidos na armação.

De acordo com investigações, o empresário Oscar Maroni, dono da boate Bahamas - e preso por manter uma casa de prostituição - é apontado como um dos suspeitos pela armação contra o jornalista. Segundo o relatório da Corregedoria, a prisão de Cabrini seria uma retaliação contra matérias sobre a casa de prostituição do empresário.

"Evidente que essa matéria custou-lhe um preço alto, como uma ferida que se cura, mas fica a cicatriz", diz o relatório da Corregedoria.

Cabrini foi preso ao lado de Nadir Dias da Silva, que procurou o jornalista com denúncias de envolvimento de policiais com o PCC (Primeiro Comando da Capital). O relatório diz que a comerciante comprou a droga e havia negociado a prisão de Cabrini com o delegado Edmundo Barbosa, chefe do 100º DP.

A inocência do jornalista foi concluída após contradições nos depoimentos de Nadir, dos policias e delegado envolvidos. Houve também o testemunho de um policial do próprio distrito que contou detalhes de como foi planejada e executada a armação. A identidade deste policial é mantida em sigilo. Na ocasião, Cabrini também fez testes que comprovaram ausência de qualquer tipo de droga em seu corpo.

Antes disso, o jornalista já havia feito reportagens sobre a corrupção policial, que resultaram no afastamento de delegados ligados ao tráfico de drogas.

"Fui vítima da banda podre da polícia, que foi alvo das minhas denúncias", disse Cabrini à Folha de S.Paulo. Sobre Oscar Maroni, Cabrini afirmou que o empresário se incomodou com suas reportagens.

 

(Portal Comunique-se)

quarta-feira, 15 de junho de 2011 0 comentários

Os anônimos do Jacarey

A praça é um lugar de reunião dos habitantes de uma determinada localidade; ou pelo menos era. Parece um conceito antigo, arcaico, que está completamente fora da realidade. Mas não o é, totalmente. É um conceito bem vivo em algumas pessoas que freqüentam esse ambiente verde e amplo, de pessoas alegres, de alguns personagens curiosos e instigantes, desse vasto imaginário urbano.

Alguns vêm para procurar algo que deixaram a muito no passado. Outros procuram manter-se em forma, dando voltas repetidas em torno do agradável lago, localizado no centro da praça, ouvindo seu mp3, ou batendo um papo com seu companheiro ou companheira enquanto caminham. Jovens e velhos ocupam de forma harmoniosa esse grande espaço em meio a pequenos condomínios de luxo. Podemos notar também a religiosidade forte e presente nas senhoras que rezam defronte a imagem colocada em um pequeno altar de pedra, numa devoção coletiva e com horário marcado para rezas, ladainhas, e exaltações ao Divino.

Seu Jansen, velho boêmio, de cabelos alvíssimos como a espuma da cerveja que bebe com os amigos, com toda a pompa de um nobre senhor habituado a várias noites naquela praça, revive seus momentos austeros. Com um pequeno chapéu branco, de pequenas abas, enfeitando sua pequena cabeça, redonda e avermelhada, Seu Jansen gasta verbos e elogios com os amigos, contando um pouco de suas noitadas ao pé de violões e violonistas; cercado de mulheres, garrafas e outros atores da velha boemia da época; e com orgulho diz "nunca peguei no batente depois que dei certo em Fortaleza. Mas até eu conseguir vencer, foi duro".
E o que dizer de Jesus? Jovem esquizofrênico, irrequieto, não consegue parar em lugar algum, para cima e para baixo, a conversar com seus demônios e anjos, sozinho, sujo, coxo, e, sobretudo, imoral; no principio engraçado, mas depois, extremamente inconveniente. Jesus está sempre acompanhado a distância por seus pais, um casal curioso, vítimas do infortúnio, segundo eles vingança de parentes. Seu Francisco, segundo me conta, foi um empresário muito bem sucedido nas empresas do pai, mas que foi vítima de irmãos que lhe tiraram todo o dinheiro que lhe havia; além de terrenos e outras fontes de renda. Decadente, procurou salvar seu espírito nas linhas santas da Bíblia. Muito religioso, vem logo me advertindo sem que eu o pergunte "não converso com ateus, bêbados ou drogados, já fui muito errado, tive muitas raparigas, mas hoje tenho Jesus ao meu lado", disse o velho sem se importar com a presença da sua esposa ao lado.

Os quiosques, os brinquedos para as crianças, os restaurantes desse singelo espaço público, tudo favorece para tornar o ambiente da Praça do Lago um refúgio dos solitários anônimos como Seu Jansen, Jesus, as devotas que rezam nos dias aprazados, os coopistas que chegam dos bairros vizinhos, mesclando-se com outros anônimos da cidade que cresce vertiginosamente ao redor do Jacarey.
quinta-feira, 7 de abril de 2011 0 comentários

Chacina no Realengo

Definitivamente essa não era a notícia que queríamos ouvir hoje, na data em que comemoramos o dia do jornalista. Fato terrível que chocou-nos. Um jovem, de 24 anos, adentra uma escola armado com dois revólveres, distribuindo, a esmo, tiros, visando as cabeças de indefesas crianças. Conta-se que atirou mais de cem vezes. Só parou quando a polícia o alvejou, na perna. Sem saída, tirou sua própria vida.

 Não tenho notícia de igual acontecimento em nosso País. Espantados, os que veem as imagens pela primeira vez perguntam-se se o que aconteceu foi aqui no Brasil. Sim, respondo, um tragédia exportada! Mas, ainda bem, apenas um fato isolado, enquanto que nos EUA, tragédias como essa, tornaram-se pano de fundo de uma sociedade armada até os dentes.

Estávamos acostumados, no pior sentido da palavra, a crimes mais 'lógicos', morte após briga entre pessoas que consumiam álcool, vítimas fatais da imprudência de motoristas no trânsito, mortes ligadas ao consumo de drogas ilícitas, seqüestro, crimes passional, enfim, os que frequentemente aparecem nos nossos jornais.

Psicose, fanatismo religioso, argumentações que em princípio surgem para nos dar respostas. Mas creio que as respostas precisas para essa tragédia nunca as tenhamos. A covardia do ato e o desespero das mães que deixaram seus filhos numa instituição para educar, e acabaram retirando-as de lá sem vida, manchará profundamente, para sempre nossos espíritos.
quarta-feira, 23 de março de 2011 0 comentários

O preço de uma fuga

Jornal O Povo
23.03.2011

Um soldado da PM recebeu R$ 70 mil para viabilizar uma fuga de Fabinho da Pavuna do IPPS. Como o plano não deu certo, em 2006, o policial pagou a dívida com fuzis, de modelos diferentes, e pistolas automáticas

Resgates cinematográficos, fugas desmoralizantes. Como bandidos perigosos, a exemplo de Fabinho da Pavuna (Francisco Fabiano da Silva Aquino) e Alex Gardenal (Alex Sousa Ribeiro), recém-capturados, conseguem romper tão facilmente a segurança nos presídios cearenses? O POVO teve acesso, com exclusividade, a informações que curiosamente foram pouco aproveitadas por órgãos das secretarias da Segurança Pública e Defesa da Cidadania (SSPDS) e Justiça (Sejus) do Ceará. Dados que, sistematizados, poderiam servir pelo menos como procedimento de prevenção de tramas traçadas entre os muros do sistema carcerário.

O ano é 2006. No Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS), o soldado da Polícia Militar V.F. conversa ao telefone com o sequestrador e assaltante de bancos Fabinho da Pavuna. O presidiário cobra do militar o reembolso de R$ 70 mil. O dinheiro, uma boa quantia movimentada por quem está dentro de um presídio, havia sido repassada ao PM para viabilizar um plano de fuga de Pavuna que não deu certo à época.
O soldado, então lotado na 2ª Companhia de Guarda do Presídio, demonstrava, conforme informações apuradas, ser acostumado a fazer pequenos e grandes negócios com presos. Como conseguir celulares ou armas. Com tanta confiança em estar impune, não imaginava que as ligações telefônicas de Fabinho da Pavuna estavam sendo monitoradas por policiais que trabalhavam na Operação Paraíba da SSPDS. A investigação, na época, vinha sendo acompanhada pela 1ª Vara do Crime.

Sem temores, apesar de ter como credor Fabinho da Pavuna, o policial militar se justifica revelando que o dinheiro foi gasto pelo traficante de drogas, e seu "parceiro", André Luís Soares de Oliveira, conhecido por Dragão. Bandido que, segundo o processo 2006.01.18468-8, teria fugido com outros três presidiários pela porta da frente do IPPOO I (Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira, no Itaperi), em 2006. Graças ao apoio do soldado V.F.
Ao fugir do IPPOO I, segundo explica o soldado V.F. a Pavuna, Dragão teria ido se esconder em Mato Grosso. E lá, de posse da maior parte dos R$ 70 mil, teria comprado drogas para negociar no Ceará. Mas, por um descuido, teria perdido tudo ao cair nas mãos de policiais matogrossenses. Estranhamente não foi preso. Sendo recapturado em Caridade por participação do assalto ao BB de Caridade.
Justificada a situação, Fabinho da Pavuna se mantém sereno ao telefone e aceita uma proposta do soldado V.F. que temia ser morto por Pavuna. "Não. A gente corre atrás de ganhar dinheiro e ter liberdade", retruca o bandido. A dívida de R$ 70 mil então seria paga em armas e repassada à quadrilha do sequestrador. Acordo feito.

E a partir daí, para espanto de quem está escutando os celulares dos dois, o soldado começa a desfiar um arsenal à disposição do "cliente" que está trancado no IPPS. O soldado da PM oferece a Pavuna fuzis do tipo AK (de origem russa, com uso autorizado somente a militares) e de outros modelos, além de pistolas Ponto 40 (também só autorizadas para uso militar). Fala de alguns itens que custam entre R$ 6 mil e R$ 12 mil e ainda supervaloriza a mercadoria, pois ensina que a "PT 40 é o mesmo armamento utilizado por policiais do Raio". Raio é o grupo de elite para ações rápidas da PM do Ceará.

Nas interceptações telefônicas autorizadas pela 1ª Vara do Crime, além de negociar fugas, fornecer armas pesadas para bandidos, o soldado V.F. também repassa, com aparente facilidade, fardamento da PM para seus "clientes" criminosos. A última movimentação desse processo teria sido em agosto de 2008.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011 0 comentários

Na Caixa só tem 'menino-besta'

Outro dia fui com minha esposa na Caixa Econômica cancelar uma conta-corrente de titularidade da minha esposa. Depois que fomos atendidos, resolvemos retirar um extrato da sua conta-poupança, pois havia alguns meses que para lá eu enviara uma parte das minhas quinzenas passadas. Qual foi nosso espanto após verificarmos que ela estava muito aquém do que deveria estar. No extrato continha um débito que nem eu, nem minha esposa conseguimos identificar. Foi um banho de água fria, daqueles que se toma no alvorecer de uma manhã gelada de inverno... no Canadá ou mais acima.

De imediato voltamos para falar com o gerente a respeito desse débito. Ele identificou como 'seguro de vida'. Mas como!... falei. Nunca fiz tal seguro. Ele me falou que o seguro foi feito quando eu financiei a compra da minha casa. Lembrei-lho de um seguro, porém para mim tratava-se de um seguro para a casa, no caso de reforma, vazamentos, etc...

Bom, para resumir: tivemos que pedir uma restituição do dinheiro, pois o débito foi automático, sem que eu solicitasse. Agora vem o lado engraçado do negócio: para que esse dinheiro me seja restituído, eu terei que abrir em meu nome uma conta-poupança, já que a Caixa não pode restituir um dinheiro para outra conta com outro titular! Falei para a moça que me atendeu que aquilo era muito estranho: para debitar automaticamente um valor de um seguro, que eu não solicitei, não houve nenhum problema para retirar da conta-poupança da minha esposa. Mas já para restituir o dinheiro vou ter que arranjar tempo para me deslocar até uma agência e abrir uma bendita conta. Francamente! Esses 'meninos-bestas' da Caixa são realmente fantásticos. 
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011 0 comentários

BBB do IPPOO II

Esses dez participantes foram os 'eliminados' do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira II e estão fora do presídio de segurança máxima.

Se você quer vê-los novamente dentro do reality trash do presídio cearense é só ligar para o Disque-denúncia 181 da Polícia Civil do Ceará.

A Polícia esclarece que provavelmente a população não os encontrará em uma casa-de-vidro: eles poderão estar em casa-de-taipa, barro, ou mesmo de alvenaria.  
terça-feira, 25 de janeiro de 2011 0 comentários

Chuvas em Fortaleza


Assistimos diariamente notícias sobre tragédias que a chuva estão provocando na região Sudeste nesse começo de 2011. Tragédias que sempre se repetem, mudando apenas a localidade da fatalidade.

Ontem assistimos São Paulo (a capital) ser inundada por apenas cinco minutos de chuva forte. Aqui, em nossa capital cearense, chove a noite inteira e algumas ruas - algumas, mas essenciais para os fortalezenses - ficam alagadas causando transtorno para quem sai de casa para trabalhar, principalmente com carro pequeno.

As grandes metrópoles têm um grande desafio de prevenir os danos causados pela fúria das chuvas nessa época do ano. Aqui, em Fortaleza, cidade praticamente plana, sofremos contratempos, mas nada parecido com o caos que se instala abaixo da linha do equador.

Depois que a Prefeitura retirou várias famílias da área de risco, não ouvimos mais falar em mortes em Fortaleza por conta da chuva. Ao contrário de outras capitais. Tanto que a defesa civil fortalezense trabalha para organizar ajuda para o Rio de Janeiro. No mais, ouvimos uns tantos que reclamam que seus carros novos podem cair em algum buraco.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010 0 comentários

Flagrante urbano.

Quem passou agora pela Rua Alberto Magno com Raul Uchôa no bairro do Montese, teve o desprazer de assistir à degradante cena de uma explícita troca de favores sexuais de um 'flanelinha' com uma garota de programa.

O observador que me ligou relatando a cena afirma que os dois estavam próximos a um sinal. Para quem quisesse ver a garota deixava-se tocar nos seios em troca de R$ 1,50. Depois que o 'flanelinha' avisou que não tinha o dinheiro a garota pediu que ele lhe desse pelo menos R$ 1,00.

Desconfia-se, evidente, que seja para consumo de droga. Essas cenas são constrangedoras e revela a degradação que a drogadição leva aos seres humanos.

Resisto mais que posso a dar dinheiro em sinais; e principalmente para esses 'flanelinhas'. Inclusive já discuti com vários deles, muitos achando-se no direito de privatizar um pedaço de rua ou estacionamentos de lojas. 

É um mal urbano que se não for controlado a tempo pode virar algo bem maior. 

Alerta para os donos de estabelecimentos que deixam essas pessoas cobrarem por vigiar carros, aborreçendo seus clientes no momento que chegam e, principalmente, no momento que deixam os estacionamentos.    
 
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