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segunda-feira, 31 de outubro de 2011 0 comentários

Onde estão as pessoas nas telenovelas?

O gênero dramático cativa-nos porque vemos nossa própria imagem refletida na figura do ator.

O gênero traduz todas as dores, alegrias, sonhos ou frustrações do ser humano da vida real, não só para as telas, mas para o papel ou  qualquer outro veículo de comunicação. As rádios da America Latina, na década de 50, viveram esse boom, onde as próprias fronteiras já não bastavam para conter o gênero no próprio continente.

Mas, para que o público desperte interesse para sua narrativa, um bom drama tem que ter uma boa dose de ação. Estes não devem se transformar em diálogos disfarçados de monólogos irritantes, reflexivos, quase nada comunicativos. Ação é o que conta. Ação é o que vai atrair as pessoas para o que está acontecendo, o que aconteceu, e o que pode acontecer nas idas e vindas de casais, da tragédia e felicidade daqueles que podem até ser seu vizinho – dado a familiaridade da cena, ou alguém do outro lado do mundo. Se há ação, há alguém curioso prestando atenção no drama a desenrolar. Mas não é qualquer ação que desperta o interesse das pessoas. Algo na ação tem que passar o clima de tensão, conflito, onde os atores do drama estejam em clima de 'guerra'.

E como transformar uma ação, onde estão implícitos todos os ingredientes de um bom drama, em um programa de sucesso no rádio? Não é tarefa fácil. Temos que saber criar situações onde possamos explorar as contradições de interesses entre os personagens. Podemos mesclar situações onde envolva relação de poder, desejo, vaidade e querer, por exemplo.

Para se ter uma boa história, onde possamos relacionar todas as situações acima mencionadas, e fazer com que o drama esteja sempre envolvido e envolvente para os expectadores, é necessário, antes de mais nada, criatividade e um bom argumento, capaz de levar ao expectador, ou ao ouvinte, a querer acompanhar toda a trama, do início ao final, sentindo-se envolvido com um ou outro personagem do drama. Vale lembrar que a criatividade não surge do nada. Precisa, primeiramente, de vivência. Sem a vivência, o autor não pode apreender da realidade todos os matizes do drama humano, toda a sua complexidade. É da vivência que naturalmente surgirão conversas, fator importante de pesquisa. Claro, um escritor ainda poderá, para completar seu mundo de imaginação, ler livros, escutar séries de rádios, televisão, assistir a filmes, tudo é válido para adquirir conhecimentos essenciais para compor personagens marcantes para o público.

Tendo o conhecimento sólido sobre os personagens, resta a ideia do texto: seu começo, meio e fim. Saber como eles vão se relacionar entre si, pensando em que tipo de público você quer atingir. Você deverá trabalhar o argumento para que o público possa prender sua atenção no programa desde o primeiro momento e sempre esperar, ansioso, pelo próximo capítulo no dia seguinte. Para isso o escritor tem que ser capaz de criar um clima envolvente. Se possível prender a atenção do público logo de início. Para conseguir esse feito, o argumento do drama deverá passar por três etapas básicas. Primeiro, onde e quando se deu a ação. Segundo, quais são os personagens principais e, terceiro, escolher o subgênero que será utilizado. Se você conseguir transmitir uma boa introdução do plano geral da história, logo após é preciso aprofundar os conflitos entre as personagens e, por fim, conseguir um bom desfecho para sua trama. Depois desse método posto em prática é certeza de uma boa audiência do programa. Ah, não podemos esquecer a identificação das pessoas com algum dos personagens. Pode ser tanto o protagonista da trama, quanto o antagonista. O importante é que o público crie uma identidade com sua história.

E como conseguir que o público se veja nos personagens? Para que isso aconteça é necessário que os heróis ou bandidos da história estejam o mais próximo da realidade, ou seja, o herói não é divino, cabendo a ele todas as fraquezas que um ser humano possa apresentar. E nem o bandido é mau a toda hora, porque na verdade ninguém é assim. Hoje assistimos claramente essa equivocada maneira de apresentar personagens na teledramaturgia brasileira. 

Outro truque para aproximar seus personagens ao máximo com a vida lá fora é apresentá-los em situações idênticas à vivida pelo telespectador. Nada de coisa mirabolantes.

Criar histórias é principalmente observar todas as nuances das relações entre as pessoas de carne e osso.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011 0 comentários

Bem mais que um jornal aberto

           Nada mais característico em nossa cultura do que o disse-me-disse. Você pode ser o mais cético dos mortais, mas sempre existe uma história que você ouviu de um conhecido, que ouviu de outros, que já ouviu de outrem... Fatos que foram interpretados pelo observador sem nenhum compromisso com a boa informação. Claro, ninguém tem a obrigação, apesar de ser preferível, de somente passar a informação correta e objetiva. O mundo seria por demais grave se ao invés de afirmarmos que a nossa vida poderia ser um livro aberto, referirmo-nos à ela como a um jornal aberto, cheio de sangue, publicidade, e pretensa objetividade.

           Portanto, somos tentados a acreditar em uma história bem contada, sem nos preocuparmos de saber se ela é verdadeira ou, pelo menos, parcialmente verdadeira. Principalmente quando se trata de um caso amoroso de aguém que conhecemos, ou um escândalo político.  

           É aqui que eu queria chegar.
           Confiando na 'capacidade' dos brasileiros de acreditar em conversa-pra-boi-dormir, besteirol e na sensibilidade artística de acreditar no surreal, tivemos recentemente uma revista que abriu suas páginas para uma pessoa que já foi preso - reparem bem no detalhe dessa informação, sem que eu precise escrever em caixa alta - foi preso por desvio de dinheiro público, portanto, de caráter duvidoso, e a dita revista utiliza-se dele embasando uma denúncia na tentativa de derrubar um Ministro da República do Brasil. Coisas estranhas assim é frequente acontecer no país: um preso, ou ex-preso,  acusando Ministro de Estado e o povo, sem refletir, acredita.
           Mas por que isso acontece?
           Primeiro porque a história foi bem contada; segundo, porque é como escrevi no início, quando surge conversas sobre políticos metidos em algum trambique, até o mais bem intencionado queda diante do costume no país, de achincalhar políticos.
           Infelizmente, é desse discurso que as revistas vivem, ou melhor, sobrevivem às nossas custas.  
 
terça-feira, 20 de setembro de 2011 0 comentários

Humberto Costa: Meios de comunicação não querem que a verdade sobre eles seja debatida

por Conceição Lemes

 

Na semana passada, três fatos  tinham tudo para ser notícia na mídia. Porém, foram praticamente ignorados.

Roberto Jefferson nega ao STF a existência do mensalão

"Empresário" pede desculpas ao PT por mentiras no Jornal Nacional

Repórter da Veja realmente tentou violar o quarto de José Dirceu em hotel

 

Hoje, mais cedo entrevistei o senador Humberto Costa (PT-PE) sobre esses fatos.

 

Viomundo –  O ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), afirmou em sua defesa ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não houve o mensalão, denunciado, em 2005,  por ele à Folha de S. Paulo e que o restante da mídia corporativa embarcou.  Foi só "pura retórica", "modo de dizer". O que o senhor acha dessa posição dele agora?

Humberto Costa — Na verdade, é uma estratégia da defesa do ex-deputado.  Naquele momento, muito marcado pela raiva que estava destilando contra o PT, contra o presidente Lula, ele apresentou aquela versão dos fatos, acabou produzindo muitos desgastes, inclusive a criação de uma CPI, que quase leva à derrubada do governo Lula.

Agora, seis anos depois, ele retira o que disse. Tudo isso como uma estratégia de defesa, mesmo porque ele precisaria provar à Justiça a defesa do que ele havia formulado.

Então, perde força a própria denúncia. E perde força ele como pessoa dotada de credibilidade, para se manifestar em relação a temas semelhantes.

 

Viomundo — Rubnei Quícoli pediu desculpas ao PT nos processos que a direção nacional move contra ele em Brasília. Quicoli é aquele "empresário", todo vestido de preto que, durante a campanha eleitoral de 2010, apareceu no Jornal Nacional fazendo graves denúncias à então candidata Dilma Rousseff e ao PT. Na época, apesar da razoável ficha corrida – já havia sido preso por receptação de carga roubada, entre outros crimes –, foi levado às instalações da TV Globo, onde gravou seu "depoimento". Qual a sua opinião sobre esse "pedido de desculpas"?

Humberto Costa – Do ponto de vista de comunicação esse caso é ainda mais grave, pois uma emissora de TV deu ares de credibilidade a alguém que reconhecidamente não tinha credibilidade.

Houve manipulação, uma utilização desse cidadão, que, sem ter provas, acusou o PT. Isso gerou prejuízo eleitoral na campanha da presidenta Dilma.

Eu defendo que o simples pedido de desculpas não deva encerrar esse processo, porque  os prejuízos, os danos à imagem do partido, à própria candidatura e à própria presidenta foram flagrantes. Esse processo tem de continuar.

 

Viomundo – O terceiro fato que foi notícia, mas a mídia ignorou foi a conclusão da Polícia Civil do Distrito Federal  sobre a tentativa de invasão do quarto de José Dirceu. O delegado confirmou que o jornalista Gustavo Ribeiro, da revista Veja, realmente tentou violar o apartamento José Dirceu, no Hotel Naoum, em Brasília, no dia 24 de agosto.  O que pensa sobre esse caso?

Humberto Costa – Para mim, é um episódio também da maior gravidade. Quem quer que tenha sido espionado dessa forma, que tenha tido a sua privacidade invadida, sofreu um prejuízo expressivo. As próprias pessoas que ali estiveram — não cabe a ninguém fazer qualquer tipo de prejulgamento — também tiveram a suas imagens associadas a algum tipo de delito, que não aconteceu. Na verdade, ali, o delito foi praticado pelo jornalista e pela revista.

A conclusão de que realmente  houve essa tentativa de invasão denota uma atividade ilegal.  Isso macula muito a credibilidade de revista e coloca em debate a necessidade de a sociedade ter instrumentos para se defender em situações como essa, assim como das duas anteriores.

 

Viomundo – Senador, quem vai pagar a conta pelos prejuízos que o PT alega ter sofrido?

Humberto Costa — Esse é um dos grandes problemas que nós temos em relação às leis brasileiras, especialmente as leis que dizem respeito ao funcionamento das empresas de comunicação.

Na verdade, quando se fala em democratização dos meios de comunicação muita gente quer passar a leitura de que se está falando em cerceamento da liberdade de imprensa, tentativa de intromissão no conteúdo das matérias jornalísticas. Quando, na verdade, não é nada disso.

Uma das razões pelas quais estamos propondo a democratização dos meios de comunicação é para que, em situações como essas, as pessoas e instituições que tenham sido caluniadas, que tenham sido vítimas de mentira, possam ter um espaço semelhante na mídia  àquele que tiveram os seus detratores, os seus acusadores.

No caso do " mensalão", o prejuízo que tivemos não pode ser reparado totalmente. No entanto, nós vamos tentar dar divulgação à posição do ex-deputado. O próprio Supremo Tribunal Federal receberá e analisará essa defesa.Tenho certeza de que a sociedade saberá entender o que, de fato, aconteceu.

 

Viomundo – E no caso da Globo que deu a palavra a uma pessoa sem a menor credibilidade, como fica?

Humberto Costa – O que acontece com uma instituição de comunicação que, sem o devido cuidado, leva aos seus estúdios dando áreas de credibilidade uma pessoa, sem provas e que se disponha a fazer acusações?

Sem dúvida, isso não dá mais para ser reparado . Por isso  acho que os processos movidos contra o tal 'empresário' devam ser mantidos. Fica claro  também que é preciso aperfeiçoar a legislação que trata dos órgãos de comunicação no Brasil.

 

Viomundo – Nos três episódios, a mídia esteve envolvida. Como levar essa discussão para a sociedade, já que mídia diz que a regulação dos meios de comunicação seria uma forma de cercear a liberdade de imprensa?

Humberto Costa – Teremos de fazer todos os esclarecimentos à sociedade. Mas já sabemos que será uma tarefa difícil. Há uma tentativa clara de impedir qualquer discussão sobre a democratização dos meios de comunicação, tachando esse debate como cerceamento à liberdade de imprensa, quando na verdade não é.

Nós temos de discutir o que fazer em situações como essas apontadas por você, quando há calúnia ou quando uma notícia mal investigada se transforma em uma denúncia, acarretando prejuízos os mais diversos.

Nós temos de discutir como fica o direito de resposta. A indenização a pessoas e instituições que tenham sido vítimas desse tipo de atividade ilegal e criminosa, como no caso da tentativa de invasão ao quarto de José Dirceu, não deve ser simbólica; a indenização deve ser expressiva.

Outra coisa que faz parte dessa discussão é questionar se é justo, correto, que uma única empresa detenha a propriedade de rádio, televisão, jornais, redes sociais. Também se isso não  representa uma concentração negativa em relação à democracia dos meios de comunicação.

É importante discutir também se é justo que políticos tenham direito a ter rádios e televisões. Eu acho que eles não deveriam ter, a legislação deveria coibir isso.

São essas questões que tem de ser discutidas e não nenhum tipo de proibição à expressão do pensamento, das ideias de quem quer que seja.

E isso não é fácil. A forma de se fazer esta discussão é por meio dos meios de comunicação e eles se fecham inteiramente à possibilidade de a verdade ser colocada  nesse debate

quarta-feira, 13 de julho de 2011 0 comentários

Um tranco no barão da direita

Por Alberto Dines - Observatório da Imprensa

 

Um episódio sem precedentes na história do moderno jornalismo: o fechamento do tablóide marrom News of the World (doravante designado como NOTW) e a prisão de duas figuras-chave, depois soltos sob fiança – sem qualquer passeata ou abaixo-assinado de protesto –, marcam uma espetacular virada nas relações mídia-midiados no mundo ocidental. O leitor-cidadão, afinal, percebeu o entupimento da rede de esgotos; a sujeira acumulada começou a escapar pelo ralo e macula o processo democrático, o sagrado direito de informar e, de roldão, a última profissão romântica.

Para avaliar as dimensões do acontecido convém anotar o seguinte:

** A imprensa não está no banco dos réus. Quem denunciou o escândalo não foi um governo autocrático nem uma polícia bolivariana: foi um jornalão de qualidade, o progressista The Guardian, secundado a sottovoce, meia voz, pelo conservador The Economist.

** Escândalo flagrado e denunciado, ninguém está clamando por mais controles sobre a imprensa. Em uníssono (até agora), todos exigem que a autorregulação saia da esfera do engodo e da fantasia para tornar-se real, efetiva, sobretudo rápida.

** É um equívoco considerar Rupert Murdoch como símile contemporâneo dos magnatas da imprensa do passado: sua linhagem não é a mesma de W. R. Hearst. Está mais para Joseph Goebbels. Murdoch é um caudilho da direita internacional empenhado em destroçar tudo o que o liberalismo político e o welfare state construíram ao longo do último século. O ex-premiê José Maria Aznar não faz parte de um dos Conselhos da News Corp. por seus méritos jornalísticos. Ele está lá por que é um expoente do reacionarismo espanhol até hoje empenhado em santificar Francisco Franco.

Bola de neve

** O fechamento do NOTW e seus inevitáveis desdobramentos não podem ser circunscritos às singularidades britânicas, nem sua associação com policiais eram exclusividade dos legionários de Murdoch. O editorial que introduz o especial do Economist sobre imprensa nesta semana deixa claro que outros tablóides usavam os mesmo métodos, talvez menos ostensivamente. Importa saber que Murdoch tem mais força política nos EUA. É o patrono da metade de um gigantesco país entregue a uma histeria conservadora que alimenta continuamente através do vale-tudo noticioso da Fox News (chamado de foxificação pelo Economist) que vence em audiência e faturamento as rivais CNN e MSNBC juntas.

** Na entrevista que concedeu à Folha de S.Paulo na segunda-feira (11/7), o antípoda de Murdoch, o fundador do El País Juan Luís Cebrian, lembrou que "jornais nasceram no começo do século 19... formam parte das instituições do mundo democrático... jornal é uma concepção de mundo. Da primeira à última página..." (ver "Google e Facebook são os concorrentes dos jornais"). Murdoch detesta os jornais-instituições, sua visão de mundo é diametralmente oposta. O jornal-instituição tende naturalmente para um processo decisório colegiado, minimamente consensual. É o que o déspota Murdoch mais detesta.

** Apostou na internet porque representava o fim da imprensa esclarecedora, iluminista. Preocupou-se mais em enfrentar a pirataria do Google (que se servia do conteúdo alheio para ficar com o total das receitas) do que em explorar vantagens digitais como ferramenta ou plataforma.

Há 20 anos que Rupert Murdoch ganha todas as paradas. Em algum momento o processo deveria ser barrado. Ou drasticamente revertido. Tudo indica que o momento chegou. A bola de neve pegou um dos mais perversos criadores de bolas de neve.

quinta-feira, 7 de julho de 2011 0 comentários

Jornalismo: novo modelo deixa patrões de pernas pro ar

Por Claudio Julio Tognolli - Brasil247

"Não dá para continuar fazendo jornalismo do mesmo jeito. A decadência dos jornais nos EUA continua sendo um sinal de alerta para o resto do mundo, apesar das peculiaridades únicas daquele mercado. Nos últimos cinco anos, o faturamento de publicidade dos jornais americanos caiu 45% (regressou a níveis de 1983) e a circulação continuou a despencar. As redações dos jornais perderam quase a metade de seus jornalistas e as demissões continuam".

O alerta é de ninguém menos que o professor e jornalista Rosental Calmon Alves, hoje considerado o maior consultor de mídia do planeta. Criador do primeiro jornal virtual da América Latina, o JB on line, Calmon Aves comanda o Centro Knight, em Austin, Texas - um núcleo catalisador de produção jornalística em todos os continentes. Dentre as atividades de Rosental, está o fomento de novas iniciativas no jornalismo, integração de associações e entidades jornalísticas, medição do pulso das novas tendências. As atividades diversificadas de Rosental fazem de sua vida uma itinerância continental: viaja o mundo o tempo todo. Nivela seu destino diariamente com os diretores e proprietários dos maiores jornais dos 4 continentes. Rosental é apontado como o Umberto Eco do século 21.

Os dados fornecidos por Rosental Calmon Alves ao Brasil 247 são no mínimo alarmantes: as vagas de jornalistas eliminadas nos jornais dos EUA desde que o centro de monitoramento "Paper Cuts" começou a contagem, em 2007, são de 21.008 em quatro anos e meio. O recorde foi em 2008, com 15.992 cortes. O ano de 2011 traz, até junho, 1.133 cortes.

"Quadro dramático similar se repete nas redações das emissoras de rádio e TV, que já eram pequenas", revela Rosental. "A revolução digital impõe mudanças radicais e cria um novo ecossistema de mídia. A lenta ruptura dos modelos de negócio, produção e distribuição do jornalismo continuará impiedosamente. O jornalismo investigativo tem sido a primeira vítima dessa ruptura em muitas redações nos EUA. Já há resultados da mobilização nos EUA para salvar o jornalismo investigativo, por sua importância para a democracia. E vejo terreno fértil para o jornalismo investigativo florescer no novo ecossistema de mídia digital, que enfatiza transparência", avalia. Para ele, um dos maiores fenômenos da evolução da mídia nos EUA é o jornalismo sem fins de lucro. Toda essa transição de ecossistemas de mídia precisa desta nova disciplina: jornalismo empreendedor".

O modelo que se extingue é chamado por Rosental de "ecossistema industrial", no qual ele aponta as seguintes características: escassez de informação, escassez de canais, altas barreiras de entrada de informação, altos custos de produção, tendência monopolista, comunicação vertical/unidirecional, limitação de tempo/espaço, pacotes fechados/estáticos, emprego de canais monomídia, audiência de massa, audiência passiva, pouco ou nenhum feedback/monólogo, produtor versus consumidor".

O novo modelo de jornalismo é batizado por Rosental de "Ecossistema digital". No qual ele aponta abundância de informação e de canais, baixas barreiras de entrada de informação, baixos custos de produção, mais concorrência, comunicação horizontal e multidirecional, sem limites de tempo/espaço, fluxos de informação aberta/dinâmica, canais multimídia, audiência diversa/mais nichos, audiência ativa, abundante feedback/conversação, mistura dos papéis de produtor e consumidor, o que nos EUA tem sido chamado de "prosumer".

"A Revolução Digital impõe mudanças estruturais radicais que vão continuar nos próximos anos, décadas. Nunca uma revolução tecnológica afetou o jornalismo tanto e de forma tão abrangente. Já começou a ruptura dos modelos de negócio, de narrativas, de distribuição, de relacionamento com o público e com as fontes etc. As redes sociais mudaram o mundo e são o maior exemplo das mudanças extraordinárias que estão por vir", vaticina Rosental.

Na onda de demissões e cortes orçamentários, o jornalismo investigativo tem sido a primeira vitima pelo alto custo e "baixa produtividade" (quantidade). Um dado fornecido por Rosental revela a redução de 21% no número de matérias submetidas ao Prêmio Pulitzer na categoria "reportagem investigativa", ao comparar 1984-2010. E 43% de redução na categoria jornalística chamada de "interesse público" no mesmo período. Em 2006, 37% dos 100 maiores jornais não tinham repórteres investigativos: e só 10 tinham quatro.

"Neste mundo baseado em bases de dados, fica mais fácil ter acesso a informações públicas que nutrem reportagens investigativas e antes eram difíceis de obter e interpretar. Emergem formas colaborativas de jornalismo investigativo, desde a cooperação entre organizações jornalísticas que antes não se falavam até a participação do público. Digo que crowdsourcing ganhou lugar no centro do jornalismo, a reportagem investigativa também se beneficia com a sabedoria coletiva que antes não se podia capitalizar. O crowdfunding trouxe alento ao financiar pequenas iniciativas de jornalismo investigativo, sobretudo a nível local ou hiperlocal -- o cidadão pode influenciar a pauta jornalística", avalia Rosental.

Ele sustenta que "nascido (ou renascido) no ecossistema da mídia digital, o novo jornalismo sem fins de lucro e um dos fenômenos mais importante do jornalismo americano hoje em dia. O fenômeno do jornalismo sem fins de lucro não ée exclusivo ou limitado aos Estados Unidos, embora as condições lá talvez sejam mais favoráveis que em outras partes".

Rosental destaca que com fins de lucro ou sem fins de lucro, o futuro do jornalismo (ou jornalista) neste novo ecossistema de midia passa pelo empreendedorismo. "Uma nova disciplina nas universidades e empresas dos EUA, o jornalismo empreendedor enfatiza a inovação, a invenção, a descoberta de novos modelos sustentáveis para a produção jornalística.

quinta-feira, 23 de junho de 2011 0 comentários

A palavra como atalho

A palavra como significação da apresentação, ou representação, do mundo em nossa volta. A palavra enebria sobriedades assim como reluz o que parece embotado. Sentimentaliza a pureza de nosso coração, ou enche-nos de ódio quando vem da pessoa que mais prezamos. 


Não remove montanhas, decerto não tem esse carácter. Não remove montanha mas cria atalhos. Faz serra de uma inexorável muralha, que pulula ao horizonte.

sexta-feira, 17 de junho de 2011 0 comentários

SBT Repórter: o fiasco do vídeo inédito


         Eu não entendi a reportagem de quarta-feira do SBT repórter. Juro que não a compreendi.

         A reportagem era sobre um vídeo inédito do grupo Mamonas Assassinas, mortos em acidente de avião em 1995.

         O gancho da matéria também dizia respeito à revelação, por parte do pai do vocalista Dinho, que o filho teria um projeto pessoal e não pretendia incluir os outros integrantes dos Mamonas.

         Em relação ao vídeo nada de novo: apenas os Mamonas fazendo passagem de som, e tocando em algum lugar. O rapaz que se dizia o sexto Mamonas (uma referência clara aos Beatles; não sei porque  cargas d´água Cabrini a fez...) jurava que nunca tinha visto o vídeo. E a reportagem ficou enrolando os telespectadores com imagens antigas do grupo, mil vezes repetidas quando ocorreu o acidente na Serra da Canastra.

         Do vídeo novo, inédito, sensacional, nada!... apenas alguns segundos do lugar-comum do dia a dia de qualquer banda.

         Quanto ao projeto pessoal de Dinho com Tom Cavalcante quem lembra recorda que foram as mesmas notícias que veiculavam na época. O SBT Repórter de Cabrini, apelou para a falta de memória dos telespectadores. Reeditou a matéria como se tivesse algo novo a mostrar.

         Foi um fiasco de dar sono.

quarta-feira, 15 de junho de 2011 0 comentários

Férias da faculdade

Estou na última semana de aula da faculdade. Como na maioria das vezes só consigo acessar o blogue quando estou lá, ficarei algum tempo sem ter como visualizá-lo. Mas garanto as postagens via emeio. Até lá estou tentando finalizar o novo 'mostre-me' que há dias venho implementando. Não deixem de acessar. Sempre que possível apareçam.
quarta-feira, 18 de maio de 2011 0 comentários

Pessoa pública ou pessoa famosa?

Temos no nosso imaginário de que toda celebridade é uma pessoa pública. Porém, entendo que uma pessoa pública é aquela que trabalha nas esferas do poder público. Nada mais que isso. Dizer de um cantor ou atriz que eles são pessoas públicas é cair no engano de misturar pessoa famosa com pessoa pública. A fama é uma condição conquistada por um privado, que por alguma razão se tornou conhecido. Uma pessoa pública é aquela em que a coletividade delegou deveres e direitos, em seu próprio nome, para representá-lo como se fosse ela própria.  Somente a essas pessoas é vedado o direito à privacidade, à intimidade ou à imagem, se por ventura estejam fazendo algo de ilícito que desonre a representatividade por nós delegada. Em outras circunstâncias, eles têm todo o direito garantido pela Constituição Brasileira de sua privacidade. Quanto aos outros: cantores, atores, atrizes, jogadores, modelos e etc., os nossos jornalistas simplesmente desrespeitam e infligem o seu Código de Ética.

No episódio da modelo Cicarelle até o mar do Rio de Janeiro foi tratado como entidade pública, já que ficou famoso.
sexta-feira, 15 de abril de 2011 0 comentários

Boris Casoy acusa polícia de favorecer Globo com vídeo exclusivo de atirador

O jornalista da Band Boris Casoy acusou a polícia do Rio de Janeiro de favorecer a TV Globo com um vídeo exclusivo em que o atirador Wellington Menezes de Oliveira conta os motivos que o levaram a planejar o massacre que culminou na morte de 12 estudantes da escola Tasso da Silveira (Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro), no dia 7/4. A filmagem foi exibida na noite de terça-feira (12/4) no Jornal Nacional.

"Esses vídeos de interesse público foram vazados somente para a TV Globo pela polícia do Rio. Que só agora promete investigar a discriminação cometida contra o restante da imprensa brasileira, através desse vazamento. A polícia do Rio deve explicações", protestou o apresentador do Jornal da Band.

Segundo a coluna Ooops, de Ricardo Feltrin, a Band fez uma queixa formal à ouvidoria da Polícia Civil do Rio de Janeiro por causa do vazamento. De acordo com a coluna, a Record também negociava o vídeo com policiais, mas, por questão de minutos, levou furo da Globo.

Origem do vídeo
Apesar da polêmica, a própria polícia divulgou ontem (13/4) que não tinha conhecimento das
imagens e que iria pedir o vídeo à Globo. "O vídeo não foi encontrado na casa do Wellington, no HD do seu computador, ou na bolsa que deixou na escola", disse a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha. A emissora informou que enviaria os vídeos para a polícia.


(Portal Comunique-se)
sexta-feira, 8 de abril de 2011 0 comentários

Desafio

Agora a pouco, em sessão solene na Câmara Municipal de Fortaleza, que faz homenagem ao Dia do Jornalista, o presidente da Casa, Acrísio Sena, do PT, lançou o desafio para que a Câmara e a Assembléia, juntas, comecem a discussão para organizar um simpósio com o tema 'A Democratização das mídias'
quinta-feira, 7 de abril de 2011 0 comentários

Capitão Bolsonaro, a história esquecida

Por Luiz Egypto, para o Observatório da Imprensa 


Na barulhenta cobertura da mídia sobre as declarações racistas e homofóbicas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao programa CQC, da Rede Bandeirantes, ficou esquecido, no fundo de um arquivo qualquer, um episódio de 24 anos atrás, também protagonizado pelo agora deputado federal, e que tocou em um dos fundamentos da atividade jornalística – qual seja, as declarações off the records, isto é, aquelas informações utilizadas pelo jornalista sob o compromisso de resguardar o anonimato de sua fonte.

A história é a seguinte. No segundo semestre de 1987, finda a ditadura e já sob o governo civil de José Sarney, a economia estava combalida em razão do fracasso do Plano Cruzado. A inflação era alta, tendendo a índices estratosféricos, e grassava forte insatisfação nos quartéis devido à política de reajustes dos soldos dos militares – além, é claro, do incômodo, sobretudo entre a oficialidade média, pela perda do poder político que gozaram por 21 anos seguidos.
Jair Bolsonaro era então capitão do Exército, da ativa, cursava a Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) e morava na Vila Militar, na Zona Norte do Rio. Em setembro de 1986, ele assinara um artigo na revista Veja no qual protestava contra os baixos vencimentos dos militares. Por isso ele foi preso e, na época, sua punição provocou protestos de mulheres de oficiais da ativa – que, ao contrário dos maridos, podiam sair em passeata sem correr o risco de serem presas.

"Só para assustar"
Bolsonaro tornou-se fonte da revista. Em meados de outubro 1987, a prisão de outro militar, capitão Saldon Pereira Filho, pelo mesmo motivo, levou à Vila Militar a repórter Cassia Maria, de Veja, destacada para repercutir o ocorrido. Ali ela conversou com Jair Bolsonaro, que estava acompanhado de outro capitão e da mulher deste.

Sob condição de sigilo, a mulher do militar contou à repórter – e depois Bolsonaro e seu colega confirmaram – que estava sendo preparado um plano batizado de "Beco sem saída". O objetivo era explodir bombas de baixa potência em banheiros da Vila Militar, da Academia Militar de Agulhas Negras, em Resende (RJ), e em alguns quartéis. A intenção era não machucar ninguém, mas deixar clara a insatisfação da oficialidade com o índice de reajuste salarial que seria anunciado dali a poucos dias. E com a política para a tropa do então ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves – que teria sua autoridade seriamente arranhada com os atentados.

"Serão apenas explosões pequenas, para assustar o ministro. Só o suficiente para o presidente José Sarney entender que o Leônidas não exerce nenhum controle sobre a tropa", ouviu a repórter de Ligia, mulher do colega de Bolsonaro, identificado com o codinome de "Xerife".

Frase isolada
A repórter havia apurado uma bomba, no sentido literal e no figurado. Veja não respeitou o off – no que fez muito bem, neste caso, pois do contrário estaria acobertando atos terroristas – e quebrou o pacto de sigilo com a fonte. A história toda foi contada nas páginas 40 e 41 da edição 999 (de 27/10/1987) da revista. A repórter Cassia Maria anotou em seu relato:

"'Temos um ministro incompetente e até racista', disse Bolsonaro a certa altura. 'Ele disse em Manaus que os militares são a classe de vagabundos mais bem remunerada que existe no país. Só concordamos em que ele está realmente criando vagabundos, pois hoje em dia o soldado fica o ano inteiro pintando de branco o meio-fio dos quartéis, esperando a visita dos generais, fazendo faxina ou dando plantão'. Perguntei, então, se eles pretendiam realizar alguma operação maior nos quartéis. 'Só a explosão de algumas espoletas', brincou Bolsonaro. Depois, sérios, confirmaram a operação que Lígia chamara de Beco sem Saída. 'Falamos, falamos, e eles não resolvem nada', disseram. 'Agora o pessoal está pensando em explorar alguns pontos sensíveis.'

Sem o menor constrangimento, o capitão Bolsonaro deu uma detalhada explicação sobre como construir uma bomba-relógio. O explosivo seria o trinitrotolueno, o TNT, a popular dinamite. O plano dos oficiais foi feito para que não houvesse vítimas. A intenção era demonstrar a insatisfação com os salários e criar problemas para o ministro Leônidas.

Nervoso, Bolsonaro advertiu-me mais uma vez para não publicar nada sobre nossas conversas. 'Você sabe em que terreno está entrando, não sabe?', perguntou. E eu respondi: 'Você não pode esquecer que sou uma profissional'."

Com esses antecedentes, não deixa de ser curioso que agora, quando o personagem volta à baila, a cobertura da edição (nº 2211, com data de capa de 6/4/2011) desta semana de Veja sobre o explosivo episódio de racismo, que suscitou tanta repercussão, resuma-se a uma mísera frase de Bolsonaro reproduzida na seção "Veja Essa".

Faltou um curioso da Redação para examinar o arquivo digital da revista. Faria um gol.
quarta-feira, 6 de abril de 2011 0 comentários

É "um perigo" se cativar pelas novas tecnologias, afirma especialista em RP

"A utilização de novas ferramentas de comunicação pelas agências de Relações Públicas não é tão importantes para a realização do trabalho, pelo contrário, pode atrapalhar, informa o especialista na área Bill Murray, presidente da PRSA (Public Relations Society of America). O empresário americano declara que o excesso dessas novas tecnologias é "um perigo" para os profissionais da área. Ele argumenta que é necessário estudar todos os casos dos clientes para depois concluir se as novas tecnologias são necessárias.

"Com tantas tecnologias novas e emergentes, um perigo para os profissionais é se cativar pela tecnologia e não pela mensagem e estratégia. As questões principais são: Quem está tentando alcançar com a nossa mensagem? Qual é a melhor maneira de atingir esse público? Depois, em um segundo passo, perguntamos: o podcast pode ser utilizado como ferramenta para atingirmos os objetivos iniciais?", questiona Murray, em entrevista ao
blog PR Interview, editado pelo jornalista Rodrigo Capella.

Em outro momento da conversa com Capella, Murray declara que o trabalho feito por profissionais de relações públicas é cada vez mais procurado pelas agências de comunicação. O executivo afirma que isso ocorre porque as empresas perceberam que ter apenas a publicidade tradicional como base de uma ação de comunicação corporativa não dá retorno para os clientes.

"A publicidade tradicional já não oferece aos clientes um resultado eficaz, como oferecia antes. Por isso, as empresas estão em busca de preencher esse vazio e relações públicas  é fundamental neste contexto", diz Murray."

(Portal Comunique-se)

terça-feira, 5 de abril de 2011 0 comentários

Editor da Folha e repórter do Agora são demitidos por comentários no Twitter

Por Izabela Vasconcelos

O jornalista Alec Duarte, editor-assistente de política da Folha de S.Paulo, e a repórter Carol Rocha, do Agora SP, foram demitidos do Grupo Folha por postarem comentários no Twitter a respeito do jornal. Os dois comentavam a morte de José Alencar, ex-vice-presidente da República, que morreu no dia 29/3.

"Nunca um obituário esteve tão pronto. É só apertar o botão", comentou o editor-assistente da Folha, sem citar nomes.

"Mas na Folha.com nada ainda... esqueceram de apertar o botão. rs", respondeu a repórter do Agora.

Alec então lembrou do erro do jornal, que noticiou erroneamente a morte do senador Romeu Tuma, em outubro de 2010. "Ah sim, a melhor orientação ever. O último a dar qualquer morte. É o preço por um erro gravíssimo."

"Apesar dos comentários, os perfis dos jornalistas não informavam que eram empregados do Grupo Folha. O Comunique-se tentou contato com Alec, mas ele não foi localizado.

"É nosso perfil pessoal e foi um comentário normal, não teve repercussão, retuítes, mas fomos demitidos mesmo assim", disse Carol, que questiona uma retaliação pelo comentário de algo que não é segredo: a antecipação de obituários nas redações.

A jornalista também enviou um e-mail para a ombudsman do jornal, Suzana Singer: "Você não acha hipocrisia o jornal negar - ou censurar comentário sobre o tema - que depois da notícia errada sobre a morte do Tuma, os cuidados foram redobrados? Nada mais natural. Mais hipocrisia ainda é um jornal que zela tanto pela liberdade de expressão, que diz não admitir qualquer tipo de censura, praticar a mesma censura contra seus funcionários. Me lembro que o manual de redação diz alguma coisa como "somos abertos a críticas". Sério? Não conheço ninguém que tenha criticado a Folha e não tenha sofrido represália", escreveu. A repórter também fala do episódio em seu
blog.

A ombudsman negou que tenha participação na demissão dos jornalistas e afirmou que o caso foi decidido pela chefia do grupo. Suzana também alegou que não se trata de censura. "Não acho que isso seja censura. A Folha tem meios de fazer e receber críticas (painel do leitor, ombudsman, o blog da crítica interna, a seção erramos). Imagina se todo jornalista resolvesse colocar na rede os erros de colegas e desafetos", respondeu."

(Comunique-se)
quarta-feira, 30 de março de 2011 0 comentários

Repórter de A Tarde pede demissão e alega censura em texto sobre Ivete Sangalo

Ontem eu publiquei uma briga, através de publicações, entre Caetano e o jornalista Tognolli; este falando sobre a 'máfia do dendê'. Uma espécie de classe privilegiada que existe na indústria cultural brasileira, capitaneados pelos artistas baianos de peso como Gilberto Gil e Caetano Veloso. A seguir, outra notícia que colabora para adicionar mais certezas sobre esse possível esquema.

Por Renan Justi e Izabela Vasconcelos
(Comunique-se)

A jornalista Emanuella Sombra, que trabalhava como repórter na revista Muito, do jornal baiano A Tarde, pediu demissão do veículo, após desentendimento sobre uma entrevista com a cantora Ivete Sangalo. Segundo a jornalista, uma parte importante da entrevista foi cortada, que falava da empresa da cantora, a Caco de Telha, e o processo envolvendo seu ex-baterista, Tonho Batera.

Por conta dos cortes em seu texto final, a jornalista pediu ao editor-chefe Ricardo Mendes, responsável direto pela edição de sua entrevista com a cantora, que retirasse sua assinatura da publicação. Entretanto, o editor preferiu manter o nome da repórter na publicação, o que foi decisivo na escolha de Emanuella ao pedir demissão.

O objetivo da pauta, segundo a jornalista, era promover o Troféu Dodô & Osmar, evento organizado pelo jornal A Tarde e que terá Ivete Sangalo como mestre de cerimônias.

"Se um jornal tem em mãos um material de relevância jornalística e decide não publicá-lo para não correr o risco de ferir suscetibilidades ou atender a qualquer outro interesse que não o de informar, nada mais faz do que pôr em risco a própria credibilidade. Da minha, eu não abro mão", responde a repórter.

Posição do jornal
Para a direção do jornal A Tarde, o conteúdo retirado da entrevista não era exclusivo, conforme afirmava Emanuella, e apresentava inconsistências. "O assunto editado na entrevista de Ivete Sangalo trazia informação inconsistente, sobre tema já veiculado pelos jornais do Grupo A TARDE, inclusive com chamadas em primeiras páginas, assim como na mídia nacional. Na avaliação dos editores, não havia novidade", explica Ricardo Mendes.

A respeito do pedido de demissão, o editor-chefe disse respeitar a decisão da jornalista, mas acredita que sua escolha "parece uma provocação sem sentido de quem não tinha interesse em permanecer na empresa", conclui.

quarta-feira, 23 de março de 2011 0 comentários

Folha de S.Paulo registra jornalistas como assessores administrativos

Por Izabela Vasconcelos

A Folha de S.Paulo registrou dois jornalistas como assessores administrativos. A informação foi confirmada pelo vice-presidente do Comitê de Imprensa do Senado, o jornalista Fábio Marçal, que também é membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal.

O Comunique-se teve acesso aos documentos que comprovam a irregularidade na contratação dos jornalistas. Nos dados, o jornal alega que o registro como assessor administrativo é uma norma da empresa. "Eu não sei se eles fazem isso pra fugir do sindicato ou pra burlar a legislação, é um absurdo", contestou Marçal.

O jornalista enfatiza que apenas os dois casos se tornaram conhecidos, mas acredita que outros profissionais já tenham passado pela mesma situação.

Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, Lincoln Macário Maia, a situação é absurda. "É um absurdo. É uma demostração de que veículos como a Folha são muito apressados em denunciar irregularidades, mas não prestam atenção no que acontece debaixo do seu nariz", afirmou.

Maia lembrou do caso de outra empresa, que segundo ele, também já cometeu a mesma irregularidade. "A Bloomberg também tenta disfarçar suas contratações de jornalistas. Essas 'inovações', formas toscas disfarçadas de sofisticação, precarizam a profissão", declarou. A Bloomberg não se pronunciou contra a acusação.

Deputado critica contratações


Há uma semana, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), autor da PEC que pede a volta da exigência do diploma de jornalismo para atuar na profissão, foi informado da irregularidade na Folha, e protestou. Segundo ele, que também é jornalista, irregularidades já eram cometidas em muitos veículos, mas tendem a aumentar. "É uma sinalização clara de que o fim do diploma levará à precarização da profissão", afirmou.

Procurada pela reportagem, a Folha ainda não se manifestou sobre o caso.


(Comunique-se)

quinta-feira, 17 de março de 2011 0 comentários

Globo quer comprar times brasileiros


Prestem atenção nessa reportagem:

"A reportagem apurou que a Globo deve assinar até amanhã com mais dois clubes, mas há a possibilidade de fechar com três. O Corinthians, inclusive, deve selar seu acordo ainda hoje. O Grêmio foi o primeiro clube a anunciar que fechou com a Globo. Pelo acordo, o clube gaúcho receberá R$ 47 milhões por temporada". Folha de São Paulo

Essa negociação é para fechar um acordo de transmissão do campeonato brasileiro com os clubes que fazem parte do Clube dos 13.

Se a Globo conseguir fechar esse acordo diretamente com os clubes, tira a possibilidade de acontecer uma licitação, em que outra emissora poderia entrar na briga pela transmissão. Com isso, a Globo mantém o monopólio de transmissão do maior campeonato praticado em terras tupiniquins, e com agravante: agora, clubes de futebol poderão fazer parte (se já não o fazem há tempos) da folha de pagamento da gigante das comunicações.

Até parece que o crescimento das torcidas-gangues-organizadas verificado no início da década de 90, que tirou muitas famílias dos estádios, fazendo com que os clubes vissem suas rendas diminuírem, ocasionando a oportunidade para que a Globo mercantilizasse nosso futebol, foi algo proposital, pensado e muito estimulado pelas grandes da comunicação. Aí não caberia a culpa somente à Globo, mas à Bandeirantes, e outras. Se não foi de caso pensado, foi oportunamente aproveitado, e muito bem aproveitado.

A soma avultosa de 47 milhões que será paga ao Grêmio anualmente - nem cogito o que o Corinthians recebeu... -, constituirá como mais um passo danoso rumo à intensa mercantilização do nosso futebol.
sexta-feira, 11 de março de 2011 0 comentários

Jornalista é gente?

Se analisarmos apenas na perspectiva isolada da foto famosa que o jornalista Kevin Carter fez da criança sendo espreitada pelo urubu, podemos considerar um ato de desumanidade. Porém, analisada dentro da ótica jornalística, no intuito de mostrar ao mundo a verdadeira face da miséria africana, ela merece os prêmios que a consagrou.

Agora, deixemos de lado as duas perspectivas, pesando os valores que cada uma assumiu nesse horrendo fato. Podemos afirmar, com relatos de amigos que acompanharam o jornalista, que ele não ajudou a criança a voltar ao acampamento, onde provavelmente estaria longe da ameaça do urubu. Temos então provas de que ele não agiu eticamente, pois não providenciou ajuda da indefesa criança; tornou-se indiferente à sua sorte.

Mas a foto repercutiu, e o mundo tomou conhecimento da terrível realidade daquele povo. Não tenho ideia da resposta positiva que a foto provocou nos países, mas, acredita-se, teoricamente, que ele salvou muitas crianças do flagelo da fome. Então, ele teve uma atitude ética ao fotografar aquele instante. No primeiro momento ele foi ético; num segundo foi antiético. Portanto, o que esperamos do profissional jornalista quando em determinado momento ele tenha que escolher como agir para o bem de todos e sua satisfação profissional?

Outros dirão: - ele poderia ter tirado a foto e logo em seguida socorrer a criança. Mas, se a ave fosse de sobressalto por cima da criança e cravasse seu aquilino bico naquela frágil cabeça descoberta? Daria tempo para o nosso bravo jornalista ajudá-la e também tirar a famosa foto? Foi no mínimo uma irresponsabilidade. Foi fazer malabarismo com a vida de outrem. Talvez ele soubesse que a ave só agiria depois de ter certeza da morte da vítima. Mas, quem sabe?

Segundo o jornalista Eugênio Bucci, em seu livro Sobre ética e imprensa, na introdução ele escreve falando a respeito da imprensa na democracia moderna "Os meios de comunicação se edificam como o novo palácio da aristocracia – por isso, mais do que antes, devem ser regidos por uma ética que preserve, acima de tudo, os direitos do cidadão".  

Ora, mas qual é o direito supremo do cidadão de acordo com os fundamentos éticos da nossa sociedade? A vida, claro! Mas até que a própria liberdade. Esse é o bem maior que deve ser respeitado em todas as situações em que o jornalista esteja diante de um furo jornalístico. A desculpa de que a morte de um vai ajudar milhões, segue uma falsa ética utilitarista, a que os donos de jornais, cinicamente, professam, quando encontram escondidos sob a manta de jornalismo, algum retorno comercial.

Mas a ética que acabei de expressar acima é fundamentada na ética cristã. Que professa a vida do indivíduo acima de tudo – veja a questão do aborto para se ter a ideia de até onde os cristãos entendem o que é vida. E sabemos que ela vem perdendo força ao longo dos anos. Portanto, nos erros e acertos da atitude do jornalista que fez a foto, fica o fato de que o jornalista deve estar vigilante sobre sua conduta, e pesar bem os valores éticos que a sociedade e sua profissão espera dele.
quarta-feira, 2 de março de 2011 0 comentários

Futebol: próximo duelo das gigantes Globo e Record

A briga entre a Globo e a Record pela audiência chegou aos campos de futebol. Agressiva, a Record pretende bater de frente com o que ela considera 'monopólio' das transmissões dos jogos de futebol no Brasil. Em comunicado público esclarece suas pretensões de concorrer para uma licitação que favoreça a melhor proposta de retorno para o clube dos 13.

Abaixo, a íntegra do comunicado.


A Rede Record se pronunciou nesta quarta-feira (2) sobre a disputa pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro e sobre o racha no Clube dos 13. O comunicado foi feito no dia seguinte à reunião do C-13 com o Cade, que decidiu que a emissora que fizer a melhor proposta poderá transmitir os campeonatos de 2012, 2013 e 2014.
Veja o comunicado na íntegra:
"A Rede Record vem a público expressar preocupação com as reações ao modelo de negociação proposto pelo Clube dos 13. O formato foi desenvolvido como consequência de um acordo entre o Clube dos 13 e o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Pelo que foi acertado, cláusulas que caracterizavam o favorecimento a um monopólio e impediam a participação de outros concorrentes de forma democrática e transparente foram proibidas.
O modelo anterior impôs aos clubes brasileiros o endividamento e a perda sucessiva de seus maiores talentos para outros países. Alguns clubes brasileiros passam meses sem parceiros patrocinadores porque camisas, luvas, bonés e até placas publicitárias são evitadas ou encobertas nas transmissões esportivas. Ainda existem alguns clubes brasileiros que simplesmente são ignorados durante a temporada e passam semanas sem que seus jogos sejam transmitidos.
A carta convite enviada pelo Clube dos 13 contempla uma concorrência transparente, séria, com regras claras. O documento exige propostas entregues em envelopes fechados e pressupõe declarar vencedor aquele que fizer a melhor proposta financeira para todos os clubes. O modelo é semelhante ao estabelecido pelo Comitê Olímpico Internacional para a disputa de direitos dos Jogos Olímpicos. A Record detém os direitos de transmissão exclusivos dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Fez a melhor proposta e venceu. O mercado publicitário brasileiro - de forma ousada - correspondeu ao investimento da Rede Record e cobriu todos os custos de direitos e transmissão, além de gerar lucros. Parte do pacote olímpico já foi visto no Brasil com a premiada e pioneira cobertura esportiva dos Jogos de Inverno de 2010, de Vancouver, no Canadá. Prova inequívoca de que a Record quer inovar no esporte, tem apoio do mercado publicitário e retorno expressivo em audiência.
Este ano, em outubro, faremos o mesmo com os Jogos Panamericanos de Guadalajara.
A proposta do Clube dos 13 rompe com as obscuras negociações que favoreciam o monopólio e descaracterizavam a concorrência, impondo aos clubes valores e limitações exigidas pelos eternos favorecidos. A Record reafirma o desejo de participar da concorrência do Clube dos 13, se os associados estiverem em acordo e unidos em busca de propostas que ofereçam alternativas para o torcedor brasileiro, melhorem arrecadações e ampliem a possibilidade de surgimento de novos patrocinadores.
Mas se os clubes desejarem uma negociação em separado, optando por outro modelo, a Record também pretende apresentar proposta, desde que as negociações sejam feitas seguindo padrões de transparência e regras claras. Ou seja, com a garantia de que a melhor proposta para a televisão aberta terá preferência. Esta é a forma que a Record encontra para contribuir com a evolução e o desenvolvimento do futebol brasileiro, proporcionando ao torcedor acesso livre e gratuito ao esporte preferido da nação." 
 
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