Onde estão as pessoas nas telenovelas?
Humberto Costa: Meios de comunicação não querem que a verdade sobre eles seja debatida
por Conceição Lemes
Na semana passada, três fatos tinham tudo para ser notícia na mídia. Porém, foram praticamente ignorados.
Roberto Jefferson nega ao STF a existência do mensalão
"Empresário" pede desculpas ao PT por mentiras no Jornal Nacional
Repórter da Veja realmente tentou violar o quarto de José Dirceu em hotel
Hoje, mais cedo entrevistei o senador Humberto Costa (PT-PE) sobre esses fatos.
Viomundo – O ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), afirmou em sua defesa ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não houve o mensalão, denunciado, em 2005, por ele à Folha de S. Paulo e que o restante da mídia corporativa embarcou. Foi só "pura retórica", "modo de dizer". O que o senhor acha dessa posição dele agora?
Humberto Costa — Na verdade, é uma estratégia da defesa do ex-deputado. Naquele momento, muito marcado pela raiva que estava destilando contra o PT, contra o presidente Lula, ele apresentou aquela versão dos fatos, acabou produzindo muitos desgastes, inclusive a criação de uma CPI, que quase leva à derrubada do governo Lula.
Agora, seis anos depois, ele retira o que disse. Tudo isso como uma estratégia de defesa, mesmo porque ele precisaria provar à Justiça a defesa do que ele havia formulado.
Então, perde força a própria denúncia. E perde força ele como pessoa dotada de credibilidade, para se manifestar em relação a temas semelhantes.
Viomundo — Rubnei Quícoli pediu desculpas ao PT nos processos que a direção nacional move contra ele em Brasília. Quicoli é aquele "empresário", todo vestido de preto que, durante a campanha eleitoral de 2010, apareceu no Jornal Nacional fazendo graves denúncias à então candidata Dilma Rousseff e ao PT. Na época, apesar da razoável ficha corrida – já havia sido preso por receptação de carga roubada, entre outros crimes –, foi levado às instalações da TV Globo, onde gravou seu "depoimento". Qual a sua opinião sobre esse "pedido de desculpas"?
Humberto Costa – Do ponto de vista de comunicação esse caso é ainda mais grave, pois uma emissora de TV deu ares de credibilidade a alguém que reconhecidamente não tinha credibilidade.
Houve manipulação, uma utilização desse cidadão, que, sem ter provas, acusou o PT. Isso gerou prejuízo eleitoral na campanha da presidenta Dilma.
Eu defendo que o simples pedido de desculpas não deva encerrar esse processo, porque os prejuízos, os danos à imagem do partido, à própria candidatura e à própria presidenta foram flagrantes. Esse processo tem de continuar.
Viomundo – O terceiro fato que foi notícia, mas a mídia ignorou foi a conclusão da Polícia Civil do Distrito Federal sobre a tentativa de invasão do quarto de José Dirceu. O delegado confirmou que o jornalista Gustavo Ribeiro, da revista Veja, realmente tentou violar o apartamento José Dirceu, no Hotel Naoum, em Brasília, no dia 24 de agosto. O que pensa sobre esse caso?
Humberto Costa – Para mim, é um episódio também da maior gravidade. Quem quer que tenha sido espionado dessa forma, que tenha tido a sua privacidade invadida, sofreu um prejuízo expressivo. As próprias pessoas que ali estiveram — não cabe a ninguém fazer qualquer tipo de prejulgamento — também tiveram a suas imagens associadas a algum tipo de delito, que não aconteceu. Na verdade, ali, o delito foi praticado pelo jornalista e pela revista.
A conclusão de que realmente houve essa tentativa de invasão denota uma atividade ilegal. Isso macula muito a credibilidade de revista e coloca em debate a necessidade de a sociedade ter instrumentos para se defender em situações como essa, assim como das duas anteriores.
Viomundo – Senador, quem vai pagar a conta pelos prejuízos que o PT alega ter sofrido?
Humberto Costa — Esse é um dos grandes problemas que nós temos em relação às leis brasileiras, especialmente as leis que dizem respeito ao funcionamento das empresas de comunicação.
Na verdade, quando se fala em democratização dos meios de comunicação muita gente quer passar a leitura de que se está falando em cerceamento da liberdade de imprensa, tentativa de intromissão no conteúdo das matérias jornalísticas. Quando, na verdade, não é nada disso.
Uma das razões pelas quais estamos propondo a democratização dos meios de comunicação é para que, em situações como essas, as pessoas e instituições que tenham sido caluniadas, que tenham sido vítimas de mentira, possam ter um espaço semelhante na mídia àquele que tiveram os seus detratores, os seus acusadores.
No caso do " mensalão", o prejuízo que tivemos não pode ser reparado totalmente. No entanto, nós vamos tentar dar divulgação à posição do ex-deputado. O próprio Supremo Tribunal Federal receberá e analisará essa defesa.Tenho certeza de que a sociedade saberá entender o que, de fato, aconteceu.
Viomundo – E no caso da Globo que deu a palavra a uma pessoa sem a menor credibilidade, como fica?
Humberto Costa – O que acontece com uma instituição de comunicação que, sem o devido cuidado, leva aos seus estúdios dando áreas de credibilidade uma pessoa, sem provas e que se disponha a fazer acusações?
Sem dúvida, isso não dá mais para ser reparado . Por isso acho que os processos movidos contra o tal 'empresário' devam ser mantidos. Fica claro também que é preciso aperfeiçoar a legislação que trata dos órgãos de comunicação no Brasil.
Viomundo – Nos três episódios, a mídia esteve envolvida. Como levar essa discussão para a sociedade, já que mídia diz que a regulação dos meios de comunicação seria uma forma de cercear a liberdade de imprensa?
Humberto Costa – Teremos de fazer todos os esclarecimentos à sociedade. Mas já sabemos que será uma tarefa difícil. Há uma tentativa clara de impedir qualquer discussão sobre a democratização dos meios de comunicação, tachando esse debate como cerceamento à liberdade de imprensa, quando na verdade não é.
Nós temos de discutir o que fazer em situações como essas apontadas por você, quando há calúnia ou quando uma notícia mal investigada se transforma em uma denúncia, acarretando prejuízos os mais diversos.
Nós temos de discutir como fica o direito de resposta. A indenização a pessoas e instituições que tenham sido vítimas desse tipo de atividade ilegal e criminosa, como no caso da tentativa de invasão ao quarto de José Dirceu, não deve ser simbólica; a indenização deve ser expressiva.
Outra coisa que faz parte dessa discussão é questionar se é justo, correto, que uma única empresa detenha a propriedade de rádio, televisão, jornais, redes sociais. Também se isso não representa uma concentração negativa em relação à democracia dos meios de comunicação.
É importante discutir também se é justo que políticos tenham direito a ter rádios e televisões. Eu acho que eles não deveriam ter, a legislação deveria coibir isso.
São essas questões que tem de ser discutidas e não nenhum tipo de proibição à expressão do pensamento, das ideias de quem quer que seja.
E isso não é fácil. A forma de se fazer esta discussão é por meio dos meios de comunicação e eles se fecham inteiramente à possibilidade de a verdade ser colocada nesse debate
Um episódio sem precedentes na história do moderno jornalismo: o fechamento do tablóide marrom News of the World (doravante designado como NOTW) e a prisão de duas figuras-chave, depois soltos sob fiança – sem qualquer passeata ou abaixo-assinado de protesto –, marcam uma espetacular virada nas relações mídia-midiados no mundo ocidental. O leitor-cidadão, afinal, percebeu o entupimento da rede de esgotos; a sujeira acumulada começou a escapar pelo ralo e macula o processo democrático, o sagrado direito de informar e, de roldão, a última profissão romântica.
Para avaliar as dimensões do acontecido convém anotar o seguinte:
** A imprensa não está no banco dos réus. Quem denunciou o escândalo não foi um governo autocrático nem uma polícia bolivariana: foi um jornalão de qualidade, o progressista The Guardian, secundado a sottovoce, meia voz, pelo conservador The Economist.
** Escândalo flagrado e denunciado, ninguém está clamando por mais controles sobre a imprensa. Em uníssono (até agora), todos exigem que a autorregulação saia da esfera do engodo e da fantasia para tornar-se real, efetiva, sobretudo rápida.
** É um equívoco considerar Rupert Murdoch como símile contemporâneo dos magnatas da imprensa do passado: sua linhagem não é a mesma de W. R. Hearst. Está mais para Joseph Goebbels. Murdoch é um caudilho da direita internacional empenhado em destroçar tudo o que o liberalismo político e o welfare state construíram ao longo do último século. O ex-premiê José Maria Aznar não faz parte de um dos Conselhos da News Corp. por seus méritos jornalísticos. Ele está lá por que é um expoente do reacionarismo espanhol até hoje empenhado em santificar Francisco Franco.
Bola de neve
** O fechamento do NOTW e seus inevitáveis desdobramentos não podem ser circunscritos às singularidades britânicas, nem sua associação com policiais eram exclusividade dos legionários de Murdoch. O editorial que introduz o especial do Economist sobre imprensa nesta semana deixa claro que outros tablóides usavam os mesmo métodos, talvez menos ostensivamente. Importa saber que Murdoch tem mais força política nos EUA. É o patrono da metade de um gigantesco país entregue a uma histeria conservadora que alimenta continuamente através do vale-tudo noticioso da Fox News (chamado de foxificação pelo Economist) que vence em audiência e faturamento as rivais CNN e MSNBC juntas.
** Na entrevista que concedeu à Folha de S.Paulo na segunda-feira (11/7), o antípoda de Murdoch, o fundador do El País Juan Luís Cebrian, lembrou que "jornais nasceram no começo do século 19... formam parte das instituições do mundo democrático... jornal é uma concepção de mundo. Da primeira à última página..." (ver "Google e Facebook são os concorrentes dos jornais"). Murdoch detesta os jornais-instituições, sua visão de mundo é diametralmente oposta. O jornal-instituição tende naturalmente para um processo decisório colegiado, minimamente consensual. É o que o déspota Murdoch mais detesta.
** Apostou na internet porque representava o fim da imprensa esclarecedora, iluminista. Preocupou-se mais em enfrentar a pirataria do Google (que se servia do conteúdo alheio para ficar com o total das receitas) do que em explorar vantagens digitais como ferramenta ou plataforma.
Há 20 anos que Rupert Murdoch ganha todas as paradas. Em algum momento o processo deveria ser barrado. Ou drasticamente revertido. Tudo indica que o momento chegou. A bola de neve pegou um dos mais perversos criadores de bolas de neve.
Jornalismo: novo modelo deixa patrões de pernas pro ar
Por Claudio Julio Tognolli - Brasil247
"Não dá para continuar fazendo jornalismo do mesmo jeito. A decadência dos jornais nos EUA continua sendo um sinal de alerta para o resto do mundo, apesar das peculiaridades únicas daquele mercado. Nos últimos cinco anos, o faturamento de publicidade dos jornais americanos caiu 45% (regressou a níveis de 1983) e a circulação continuou a despencar. As redações dos jornais perderam quase a metade de seus jornalistas e as demissões continuam".
O alerta é de ninguém menos que o professor e jornalista Rosental Calmon Alves, hoje considerado o maior consultor de mídia do planeta. Criador do primeiro jornal virtual da América Latina, o JB on line, Calmon Aves comanda o Centro Knight, em Austin, Texas - um núcleo catalisador de produção jornalística em todos os continentes. Dentre as atividades de Rosental, está o fomento de novas iniciativas no jornalismo, integração de associações e entidades jornalísticas, medição do pulso das novas tendências. As atividades diversificadas de Rosental fazem de sua vida uma itinerância continental: viaja o mundo o tempo todo. Nivela seu destino diariamente com os diretores e proprietários dos maiores jornais dos 4 continentes. Rosental é apontado como o Umberto Eco do século 21.
Os dados fornecidos por Rosental Calmon Alves ao Brasil 247 são no mínimo alarmantes: as vagas de jornalistas eliminadas nos jornais dos EUA desde que o centro de monitoramento "Paper Cuts" começou a contagem, em 2007, são de 21.008 em quatro anos e meio. O recorde foi em 2008, com 15.992 cortes. O ano de 2011 traz, até junho, 1.133 cortes.
"Quadro dramático similar se repete nas redações das emissoras de rádio e TV, que já eram pequenas", revela Rosental. "A revolução digital impõe mudanças radicais e cria um novo ecossistema de mídia. A lenta ruptura dos modelos de negócio, produção e distribuição do jornalismo continuará impiedosamente. O jornalismo investigativo tem sido a primeira vítima dessa ruptura em muitas redações nos EUA. Já há resultados da mobilização nos EUA para salvar o jornalismo investigativo, por sua importância para a democracia. E vejo terreno fértil para o jornalismo investigativo florescer no novo ecossistema de mídia digital, que enfatiza transparência", avalia. Para ele, um dos maiores fenômenos da evolução da mídia nos EUA é o jornalismo sem fins de lucro. Toda essa transição de ecossistemas de mídia precisa desta nova disciplina: jornalismo empreendedor".
O modelo que se extingue é chamado por Rosental de "ecossistema industrial", no qual ele aponta as seguintes características: escassez de informação, escassez de canais, altas barreiras de entrada de informação, altos custos de produção, tendência monopolista, comunicação vertical/unidirecional, limitação de tempo/espaço, pacotes fechados/estáticos, emprego de canais monomídia, audiência de massa, audiência passiva, pouco ou nenhum feedback/monólogo, produtor versus consumidor".
O novo modelo de jornalismo é batizado por Rosental de "Ecossistema digital". No qual ele aponta abundância de informação e de canais, baixas barreiras de entrada de informação, baixos custos de produção, mais concorrência, comunicação horizontal e multidirecional, sem limites de tempo/espaço, fluxos de informação aberta/dinâmica, canais multimídia, audiência diversa/mais nichos, audiência ativa, abundante feedback/conversação, mistura dos papéis de produtor e consumidor, o que nos EUA tem sido chamado de "prosumer".
"A Revolução Digital impõe mudanças estruturais radicais que vão continuar nos próximos anos, décadas. Nunca uma revolução tecnológica afetou o jornalismo tanto e de forma tão abrangente. Já começou a ruptura dos modelos de negócio, de narrativas, de distribuição, de relacionamento com o público e com as fontes etc. As redes sociais mudaram o mundo e são o maior exemplo das mudanças extraordinárias que estão por vir", vaticina Rosental.
Na onda de demissões e cortes orçamentários, o jornalismo investigativo tem sido a primeira vitima pelo alto custo e "baixa produtividade" (quantidade). Um dado fornecido por Rosental revela a redução de 21% no número de matérias submetidas ao Prêmio Pulitzer na categoria "reportagem investigativa", ao comparar 1984-2010. E 43% de redução na categoria jornalística chamada de "interesse público" no mesmo período. Em 2006, 37% dos 100 maiores jornais não tinham repórteres investigativos: e só 10 tinham quatro.
"Neste mundo baseado em bases de dados, fica mais fácil ter acesso a informações públicas que nutrem reportagens investigativas e antes eram difíceis de obter e interpretar. Emergem formas colaborativas de jornalismo investigativo, desde a cooperação entre organizações jornalísticas que antes não se falavam até a participação do público. Digo que crowdsourcing ganhou lugar no centro do jornalismo, a reportagem investigativa também se beneficia com a sabedoria coletiva que antes não se podia capitalizar. O crowdfunding trouxe alento ao financiar pequenas iniciativas de jornalismo investigativo, sobretudo a nível local ou hiperlocal -- o cidadão pode influenciar a pauta jornalística", avalia Rosental.
Ele sustenta que "nascido (ou renascido) no ecossistema da mídia digital, o novo jornalismo sem fins de lucro e um dos fenômenos mais importante do jornalismo americano hoje em dia. O fenômeno do jornalismo sem fins de lucro não ée exclusivo ou limitado aos Estados Unidos, embora as condições lá talvez sejam mais favoráveis que em outras partes".
Rosental destaca que com fins de lucro ou sem fins de lucro, o futuro do jornalismo (ou jornalista) neste novo ecossistema de midia passa pelo empreendedorismo. "Uma nova disciplina nas universidades e empresas dos EUA, o jornalismo empreendedor enfatiza a inovação, a invenção, a descoberta de novos modelos sustentáveis para a produção jornalística.
Não remove montanhas, decerto não tem esse carácter. Não remove montanha mas cria atalhos. Faz serra de uma inexorável muralha, que pulula ao horizonte.
Boris Casoy acusa polícia de favorecer Globo com vídeo exclusivo de atirador
"Esses vídeos de interesse público foram vazados somente para a TV Globo pela polícia do Rio. Que só agora promete investigar a discriminação cometida contra o restante da imprensa brasileira, através desse vazamento. A polícia do Rio deve explicações", protestou o apresentador do Jornal da Band.
Segundo a coluna Ooops, de Ricardo Feltrin, a Band fez uma queixa formal à ouvidoria da Polícia Civil do Rio de Janeiro por causa do vazamento. De acordo com a coluna, a Record também negociava o vídeo com policiais, mas, por questão de minutos, levou furo da Globo.
Origem do vídeo
Apesar da polêmica, a própria polícia divulgou ontem (13/4) que não tinha conhecimento das imagens e que iria pedir o vídeo à Globo. "O vídeo não foi encontrado na casa do Wellington, no HD do seu computador, ou na bolsa que deixou na escola", disse a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha. A emissora informou que enviaria os vídeos para a polícia.
(Portal Comunique-se)
É "um perigo" se cativar pelas novas tecnologias, afirma especialista em RP
"A utilização de novas ferramentas de comunicação pelas agências de Relações Públicas não é tão importantes para a realização do trabalho, pelo contrário, pode atrapalhar, informa o especialista na área Bill Murray, presidente da PRSA (Public Relations Society of America). O empresário americano declara que o excesso dessas novas tecnologias é "um perigo" para os profissionais da área. Ele argumenta que é necessário estudar todos os casos dos clientes para depois concluir se as novas tecnologias são necessárias. "Com tantas tecnologias novas e emergentes, um perigo para os profissionais é se cativar pela tecnologia e não pela mensagem e estratégia. As questões principais são: Quem está tentando alcançar com a nossa mensagem? Qual é a melhor maneira de atingir esse público? Depois, em um segundo passo, perguntamos: o podcast pode ser utilizado como ferramenta para atingirmos os objetivos iniciais?", questiona Murray, em entrevista ao blog PR Interview, editado pelo jornalista Rodrigo Capella. Em outro momento da conversa com Capella, Murray declara que o trabalho feito por profissionais de relações públicas é cada vez mais procurado pelas agências de comunicação. O executivo afirma que isso ocorre porque as empresas perceberam que ter apenas a publicidade tradicional como base de uma ação de comunicação corporativa não dá retorno para os clientes. "A publicidade tradicional já não oferece aos clientes um resultado eficaz, como oferecia antes. Por isso, as empresas estão em busca de preencher esse vazio e relações públicas é fundamental neste contexto", diz Murray." (Portal Comunique-se) |
Editor da Folha e repórter do Agora são demitidos por comentários no Twitter
O jornalista Alec Duarte, editor-assistente de política da Folha de S.Paulo, e a repórter Carol Rocha, do Agora SP, foram demitidos do Grupo Folha por postarem comentários no Twitter a respeito do jornal. Os dois comentavam a morte de José Alencar, ex-vice-presidente da República, que morreu no dia 29/3.
"Nunca um obituário esteve tão pronto. É só apertar o botão", comentou o editor-assistente da Folha, sem citar nomes.
"Mas na Folha.com nada ainda... esqueceram de apertar o botão. rs", respondeu a repórter do Agora.
Alec então lembrou do erro do jornal, que noticiou erroneamente a morte do senador Romeu Tuma, em outubro de 2010. "Ah sim, a melhor orientação ever. O último a dar qualquer morte. É o preço por um erro gravíssimo."
"Apesar dos comentários, os perfis dos jornalistas não informavam que eram empregados do Grupo Folha. O Comunique-se tentou contato com Alec, mas ele não foi localizado.
"É nosso perfil pessoal e foi um comentário normal, não teve repercussão, retuítes, mas fomos demitidos mesmo assim", disse Carol, que questiona uma retaliação pelo comentário de algo que não é segredo: a antecipação de obituários nas redações.
A jornalista também enviou um e-mail para a ombudsman do jornal, Suzana Singer: "Você não acha hipocrisia o jornal negar - ou censurar comentário sobre o tema - que depois da notícia errada sobre a morte do Tuma, os cuidados foram redobrados? Nada mais natural. Mais hipocrisia ainda é um jornal que zela tanto pela liberdade de expressão, que diz não admitir qualquer tipo de censura, praticar a mesma censura contra seus funcionários. Me lembro que o manual de redação diz alguma coisa como "somos abertos a críticas". Sério? Não conheço ninguém que tenha criticado a Folha e não tenha sofrido represália", escreveu. A repórter também fala do episódio em seu blog.
A ombudsman negou que tenha participação na demissão dos jornalistas e afirmou que o caso foi decidido pela chefia do grupo. Suzana também alegou que não se trata de censura. "Não acho que isso seja censura. A Folha tem meios de fazer e receber críticas (painel do leitor, ombudsman, o blog da crítica interna, a seção erramos). Imagina se todo jornalista resolvesse colocar na rede os erros de colegas e desafetos", respondeu."
(Comunique-se)
Repórter de A Tarde pede demissão e alega censura em texto sobre Ivete Sangalo
Por Renan Justi e Izabela Vasconcelos
(Comunique-se)
A jornalista Emanuella Sombra, que trabalhava como repórter na revista Muito, do jornal baiano A Tarde, pediu demissão do veículo, após desentendimento sobre uma entrevista com a cantora Ivete Sangalo. Segundo a jornalista, uma parte importante da entrevista foi cortada, que falava da empresa da cantora, a Caco de Telha, e o processo envolvendo seu ex-baterista, Tonho Batera.
Por conta dos cortes em seu texto final, a jornalista pediu ao editor-chefe Ricardo Mendes, responsável direto pela edição de sua entrevista com a cantora, que retirasse sua assinatura da publicação. Entretanto, o editor preferiu manter o nome da repórter na publicação, o que foi decisivo na escolha de Emanuella ao pedir demissão.
O objetivo da pauta, segundo a jornalista, era promover o Troféu Dodô & Osmar, evento organizado pelo jornal A Tarde e que terá Ivete Sangalo como mestre de cerimônias.
"Se um jornal tem em mãos um material de relevância jornalística e decide não publicá-lo para não correr o risco de ferir suscetibilidades ou atender a qualquer outro interesse que não o de informar, nada mais faz do que pôr em risco a própria credibilidade. Da minha, eu não abro mão", responde a repórter.
Posição do jornal
Para a direção do jornal A Tarde, o conteúdo retirado da entrevista não era exclusivo, conforme afirmava Emanuella, e apresentava inconsistências. "O assunto editado na entrevista de Ivete Sangalo trazia informação inconsistente, sobre tema já veiculado pelos jornais do Grupo A TARDE, inclusive com chamadas em primeiras páginas, assim como na mídia nacional. Na avaliação dos editores, não havia novidade", explica Ricardo Mendes.
A respeito do pedido de demissão, o editor-chefe disse respeitar a decisão da jornalista, mas acredita que sua escolha "parece uma provocação sem sentido de quem não tinha interesse em permanecer na empresa", conclui.
Folha de S.Paulo registra jornalistas como assessores administrativos
A Folha de S.Paulo registrou dois jornalistas como assessores administrativos. A informação foi confirmada pelo vice-presidente do Comitê de Imprensa do Senado, o jornalista Fábio Marçal, que também é membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal.
O Comunique-se teve acesso aos documentos que comprovam a irregularidade na contratação dos jornalistas. Nos dados, o jornal alega que o registro como assessor administrativo é uma norma da empresa. "Eu não sei se eles fazem isso pra fugir do sindicato ou pra burlar a legislação, é um absurdo", contestou Marçal.
O jornalista enfatiza que apenas os dois casos se tornaram conhecidos, mas acredita que outros profissionais já tenham passado pela mesma situação.
Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, Lincoln Macário Maia, a situação é absurda. "É um absurdo. É uma demostração de que veículos como a Folha são muito apressados em denunciar irregularidades, mas não prestam atenção no que acontece debaixo do seu nariz", afirmou.
Maia lembrou do caso de outra empresa, que segundo ele, também já cometeu a mesma irregularidade. "A Bloomberg também tenta disfarçar suas contratações de jornalistas. Essas 'inovações', formas toscas disfarçadas de sofisticação, precarizam a profissão", declarou. A Bloomberg não se pronunciou contra a acusação.
Deputado critica contratações
Há uma semana, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), autor da PEC que pede a volta da exigência do diploma de jornalismo para atuar na profissão, foi informado da irregularidade na Folha, e protestou. Segundo ele, que também é jornalista, irregularidades já eram cometidas em muitos veículos, mas tendem a aumentar. "É uma sinalização clara de que o fim do diploma levará à precarização da profissão", afirmou.
Procurada pela reportagem, a Folha ainda não se manifestou sobre o caso.
(Comunique-se)

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