por Hamilton Sobreira - Advogado
Além do pão, outros derivados do trigo deverão registrar majoração nos preços, avisa o setor
Após sucessivas altas no valor da tonelada do trigo, o preço de todos os derivados do cereal sofrerá aumento. O mais afetado será o pão, cujo valor será acrescido em até 17%, conforme projeção do presidente do Sindipan (Sindicato das Panificadoras e Confeitarias do Estado do Ceará), Lauro Martins de Oliveira Filho. De acordo com ele, o tempo para que o repasse chegue aos consumidores é relativo, levando-se em conta o estoque de cada estabelecimento.
Segundo Martins, alguns já deverão efetuar o ajuste de preços imediatamente, mas, a partir da semana que vem, conforme ele, os impactos serão sentidos com maior vigor. "O pão será mais afetado, porque a farinha é o nosso principal ingrediente. Os recentes aumentos (em torno de 40% na tonelada do insumo) são muito grandes para a gente suportar sem subir os preços", explicou.
Estabilidade por três anos
Martins lembra que há três anos os valores do pãozinho vinham sendo mantidos, mesmo com reajustes salariais dos funcionários e contínuas altas nos preços do trigo. Outros produtos que possuem o insumo em sua composição, como biscoitos, bolos e macarrão, também serão majorados, mas o presidente do Sinditrigo (Sindicato das Indústrias do Trigo dos Estados do Pará, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte), Luiz Eugênio Pontes, não projetou percentual de alta. Adiantou, que os itens que necessitarem de maior quantidade da matéria-prima, subirão de modo mais acentuado.
Impacto violento
"Haverá um impacto violento nas massas, como o macarrão", adverte. De acordo com Pontes, as possibilidades de queda no valor do insumo são remotas.
"É preciso que nos preparemos para esses aumentos até o fim do ano", alerta. Segundo ele, o produto não está em escassez global: "é caro, mas tem de onde comprar". Ele afirmou ainda que uma série de fatores externos exerceram influência sobre o aumento.
O Ceará, assim como o Brasil, não tem autossuficiência na produção de trigo, logo, depende de mercados internacionais. Conforme Pontes, desde junho, os Estados Unidos tiveram problemas com safras de milho e trigo e os países do leste europeu, como Rússia e Ucrânia - fontes cruciais para o abastecimento brasileiro - lamentaram 20 milhões de toneladas comprometidas por secas e incêndios. De junho para cá, o valor da tonelada pulou de US$ 225 para US$ 300.
Para amortecer
O presidente do Sinditrigo acredita que o mercado nacional precisa de medidas governamentais para subjugar as complicações das importações. "Seria fundamental reduzir a TEC (Tarifa Externa Comum), o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) e zerar o PIS/Cofins até o fim do ano como forma de apoio", solicita. "Com a intervenção do governo e investimentos, a médio e longo prazo, é possível nos tornamos independentes da matéria-prima internacional", completa.
Fonte: Diário do Nordeste
O pão nosso de cada dia...
Aproveitando a deixa da frase bíblica acredito que confundiram dar o dízimo do salário com dizimar o salário. O que os nobres da corte irão dizer? Que comam brioches? E a história do pão e circo? Só circo, porque palhaço não falta! Realmente vivemos no mundo do efeito borboleta: incêndio nos EUA, afeta o trigo. Crise e incêndio na Rússia, afeta o trigo. Chega! Não brinco mais com o trava línguas: um prato de trigo para três tigres. Os tigres que morram de fome!

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