quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O papel do Brasil no cenário mundial

Pelo que sei nenhum ditador tem a menor inclinação ao diálogo. Eles monopolizam as decisões em no máximo meia dúzia de pessoas. Muito mais difícil seria um ditador querer dialogar com algum outro país. Acharia logo que seria um desrespeito de sua soberania, e uma grave intromissão nos assuntos internos que só a ele diz respeito. Pois bem, é isso que eu entendo de um governo autoritário que vive em regime de exclusão.

 

Mas a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, não entende dessa forma. Ela quer explicações do governo brasileiro sobre a proposta de evitar censura pública a regimes autoritários que violem direitos humanos.

 

Ora, nada mais racional, nada mais humano, do que antes de promover sanções – muitas vezes unilaterais – dialogar com os países tidos como autoritários, pela comunidade internacional, para entendê-los: suas manifestações culturais, sua forma de fazer política, suas visões e idéias sobre a geopolítica – afinal estamos todos no mesmo barco, não é?... Enfim, tentar desvendar aos olhos do mundo, fatos que nos parecem por mais das vezes atrocidades de bárbaros.

 

Segundo o presidente da Comissão, deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP) "a proposição nos causa surpresa e estranhamento. Ela está na contramão dos valores mundiais e deverá aumentar o isolamento brasileiro".

 

Três coisas me parecem absurdas nesse pensamento a) surpresa e estranhamento que o Brasil queira dialogar com outros países: seria o deputado um aspirante a ditador que não permite que o Brasil dialogue? b) ele fala dos valores mundiais que o Brasil vai de encontro: seria o unilateralismo dos países mais ricos? Outro fator para detectarmos o DNA de um ditador no deputado e c) que o Brasil vai aumentar seu isolamento: ora o país cada vez mais firma posição no plano mundial por conta do diálogo que empreende.    

 

O Brasil hoje é respeitado internacionalmente e não há nenhum motivo para pensarmos que o Brasil deva retroceder na sua política externa de diálogo e entendimentos, pois é próprio do espírito do brasileiro.

 

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