Por João Villaverde | Valor
O Tesouro acaba de divulgar a emissão de US$ 500 milhões em títulos com vencimento em janeiro de 2021. Pelos papeis, oferecidos aos investidores americanos e também no mercado europeu, o Tesouro pagará uma taxa de juros (yield) de 4,188% ao ano -- a menor já oferecida pelo governo brasileiro a investidores estrangeiros. O preço de emissão foi de 105,348% do valor de face, com cupom de juros de 4,875% ao ano. Outros US$ 50 milhões podem ser vendidos ao mercado asiático, que abre agora.
Trata-se da primeira emissão de títulos públicos brasileiros a estrangeiros em 2011, e a primeira após o país receber duas elevações de rating por parte de agências internacionais classificadoras de risco - a Fitch aumentou a nota brasileira em abril, e a Moody's há duas semanas. O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, já admitira, na semana passada, que as condições externas estavam "muito propícias" à nova emissão do Tesouro - a última foi realizada em outubro de 2010, quando o governo vendeu R$ 1,1 bilhão para americanos, europeus e asiáticos, por um título denominado em reais, com vencimento em 2028, e juros de 8,85% ao ano.
A emissão do Tesouro é importante para empresas e bancos brasileiros. Ao oferecer ao mercado internacional papeis de longo prazo a juros cadentes a cada nova emissão - títulos em reais com vencimento em 2016 vendidos a estrangeiros em setembro de 2005 pagam juros de 12,75% ao ano -, o Tesouro acaba servindo de "benchmark" para agentes do país que querem fazer emissões de bônus e dívida no exterior. As operações do Tesouro, dizem analistas, há tempos perderam o perfil de "financiamento" do Estado. Hoje, as emissões servem para "abrir espaço" para agentes privados emitirem papeis com prazos mais longos e juros menores.

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