Finalmente estamos concluindo uma pequena obra no quintal de casa. Ela teve início, no fim do ano passado. Pensávamos que não duraria mais que um mês; assim nos garantiu o pedreiro que contratamos.
Hoje, ainda falta um pouco para ser concluída. Passaram-se quase cinco meses, para apenas ser colocada uma coberta de madeira com telhas, a pintura de paredes e a instalação de um chuveiro.
Claro que nessa altura já dispensamos o pedreiro do início. Aquele apenas fez a metade do serviço que prometeu; com o detalhe de já ter sido pago adiantado. Ajudamos-lhe, mas ele não nos ajudou. Ao contrário, trouxe dor de cabeça e desentendimentos entre eu e minha esposa. Nada de significante. Pequenas observações que minha esposa me fazia, por uma cobrança mais rigorosa de minha parte a respeito dos atrasos da obra; dentro do direito dela, e do meu também.
Mas eu me sentia totalmente constrangido em exigir celeridade. Não conseguia ser mais duro com o pedreiro, que teimava em não terminar a obra. Começava por perguntar mais enfático sobre os prazos, para logo vir uma sequência de - Sim, eu entendo... Claro, acredito... É, realmente isso acontece...
Minha esposa disse-me que de ser empregado eu entendo, mas de ser patrão...
Acho que é verdade. Em quase todas as ocasiões fico arranjando desculpas para a própria incompetência de quem faz serviços lá em casa. Tento compreender o porquê que essa 'raça' de ser humano faz esse tipo de coisa. Só deve ter um motivo que lhe é alheio ao caráter. Ainda acredito na bondade inata.
E é aí que me ferro.
Três pedreiros já passaram por essa suntuosa obra de apenas vinte metros quadrados. O último, um senhor educado e atencioso, está conseguindo vencer essa batalha. Agora acho que tudo se arranja. Já faço planos para convidar a família e amigos para inaugurarmos nosso 'castelo', como ficou apelidado por algumas pessoas, que não entendiam a demora da obra.
Hoje, quando penso em obras lá em casa, fico de um jeito que o tio da minha esposa fica, quando faz uma reforma na sua casa: doente de antevéspera. Já prevendo a inevitável ocasião, de que em algum momento o meu lado mais vulnerável terá que intervir, o meu lado de patrão compreensivo.

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