segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A angústia do “Se”...

Por Hamilton Sobreira
Advogado


Detesto o "se". O "se" traz frustração: se eu fosse mais rico... se eu tivesse aquela mulher... se ele me amasse... Já perceberam como essa partícula é carregada? Toda dor, todo desencanto, toda esperança não atendida, resume-se em um "se"! Ah, se eu fosse mais alto... se eu fosse mais magro!

Enquanto a gramática classifica esse monstro torturador chamado "se" de Conjunção Subordinativa Condicional ou Conjunção Subordinativa Integrante (conforme os exemplos acima), acredito que devemos classificar como condição de imutabilidade do que já se foi. Ou ainda: reconhecimento da minha incapacidade de mudar o que já não é mais.

Ah, se eu fosse casado... Ah, se eu fosse Europeu... Se eu fosse solteiro...

Chega! Esquece! o "SE" já se (neste caso partícula apassivadora) FOI. JÁ ERA.

E se ninguém ler esse texto? Lá vem o "se" novamente. Vai "se" embora.

Transformemos o "SE", se existente, na frase em pronome reflexivo: Moveu-se.
Ou quando muito em partícula apassivadora, que por ser apassivadora não deixa de ser ativa, como diriam os orientais: faça-SE, cumpra-SE, realize-SE.

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