quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O Equilíbrio Republicano

por Octavio Sila - professor

 

A burguesia é inevitável. Se não a burguesia, alguma espécie de homens diferentes dos outros. Quer pelo fato do empreendedorismo, quer pelo fato de conseguir liderar pessoas que estão dispostas a ouvi-las; e segui-las.

 

A natureza do caráter dessa classe é que vai determinar o rumo de um país: se for nacionalista, luta para que a nação se desenvolva. Se for entreguista, impõe aos seus compatriotas menos favorecidos, toda a sorte de um destino incerto nas mãos da burguesia de outros países.

 

Lutando para que o país se desenvolva, e traga mais riqueza para sua gente - e não para exploradores estrangeiros, o povo daquele país, ou seja, todos aqueles que de alguma forma não conseguem, pela sua própria incapacidade, ou natureza, tomar nas mãos o destino da nação, transfere de forma consciente, para as mãos dos homens mais aptos, colocando no poder alguém capaz de fazer com que os limites do capital voraz não extrapole a indecência de ver a maioria dos seus, na mais absoluta miséria - que seria totalmente contraditório aos planos desenvolvimentista de um pacto nacional, já que o mercado interno é primordial para alçar o país para mercados externos. Com o 'líder' no comando do poder, ele seria o responsável por estabelecer uma política para distribuir os ganhos dos empreendedores com o restante do povo do seu país, para que se concretize, no âmbito nacional, uma consciência de desenvolvimento arraigada nos valores de Nação, Pátria, Terra, em comum com todas as forças existentes.    

 

O equilíbrio das forças dentro do país faz com que tenhamos prosperidade, mesmo apesar dos países hoje estarem tão fragilizados pelo tipo de mercado praticado – e não pelo capital em si, como gostamos de afirmar, nós, os esquerdistas, fazendo com que, constantemente, apareçam reviravoltas na conjuntura das forças internas de um país. E para que o equilíbrio das forças seja mantido, é primordial que a classe mais frágil na balança do poder tenha as mesmas condições de acesso à cultura, educação, lazer, que tem os mais aptos a dirigir a Nação. Pois só com essas prerrogativas é que poderemos renovar as esperanças de que esse equilíbrio seja mantido, e que não somente saia dos empreendedores, mas também do povo, homens capazes de liderar o país e sua gente.

 

Esse é o espírito da República. Esse é o espírito das leis do homem na Natureza: conseguir o equilíbrio dos mais capazes com os menos capazes. Que é substancialmente diferente da 'Lei do mais forte' pregada pelos capitalistas mais ambiciosos.


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