Os partidos políticos deveriam ser os primeiros a dar o exemplo na questão do 'Ficha Limpa'. Claro está que, delegar tudo nas mãos da Justiça é um ato de flagrante fraqueza moral e verdadeira impotência de punir seus iguais. A Lei bem mal começou e já temos alguns casos de 'brechas' no processo de condenação de postulantes a candidaturas para cargos públicos nas eleições desse ano. Parece-nos então, que a Sociedade – que foi de onde partiu a idéia – sofreu um grave revés no nobre dever de abolir da vida pública do país, os corruptos de carteirinha, diria até históricos, decrépitos, da nossa república.
Mas, aqui e ali, também lemos que muitos deles foram barrados pelo STF, um verdadeiro regozijo para nossa alma. Fazendo uma pesquisa nos sítios de vários jornais importantes, no sítio do STF, e em outros sítios relacionados, podemos dizer que, no geral, temos mais notícias positivas da Lei da Ficha Limpa, do que negativas. E os casos em que o STF deu decisão favorável para o 'ficha suja' participar das próximas eleições em outubro, remete-se a contextos objetivos e específicos que inviabilizaram, naquele momento, o julgamento do acusado, ficando assim suspenso temporariamente o processo, mas não livre (e isso é importante) da condenação em um segundo momento. Se o 'ficha-suja' for eleito e o STF julgar culpado no processo que responde, eu não tenho a menor dúvida: vai ser cassado e perder o mandato.
Todo esse meu otimismo – e não poderia ser diferente, já que acredito, ainda, nos homens de valores, se contrapõe no que começo a acreditar, ao movimento da mídia pela desmoralização da Lei da Ficha Limpa. A tendência para noticiar a exceção em detrimento a regra, no caso do Ficha Limpa, é notório quando deixamos de saber que, por exemplo, o STF até agora, negou muito mais que liberou pessoas com algum problema na justiça, para se candidatar nas eleições que se avizinham.
No Estadão não raro vemos isso. Hoje li uma reportagem que reflete bem essa 'campanha' para desacreditar a Sociedade da ineficácia de sua Lei. Porque sim, acredito, que é uma tentativa de dizer para cada cidadão que se empenhou, que brigou, e que testemunhou a grande vitória de um projeto popular ser aprovado no Congresso, a tentativa de nos dizer que 'deixem essas coisas para outros... não se metam nisso que no Brasil nada dá certo. Está aí, já temos casos de pessoas sendo liberadas pela justiça...eu não avisei?...'
Na matéria do Estadão, Claudio Abramo, diretor executivo de Transparência Brasil, faz o seguinte comentário acerca do Ficha Limpa: "esse assunto não vai se tornar muito claro para o cidadão". "Alguns políticos vão escapar, outros não", acredita. "Não é chocante quando você se dá conta do caos que é a legislação, de como funciona a mente jurídica nesse País, um negócio de louco, um labirinto ininteligível." Ora, se o mesmo afirma que para ele a legislação é um labirinto ininteligível, como pode afirmar que os que escaparam na verdade não escaparam, mas foram inocentados porque realmente eram inocentes?
Então entendo que, fazer uma contra-campanha na mídia, e com a mídia, para enfraquecer a vontade popular de apresentar mais e mais projetos, visando sempre a melhoria dos aspectos morais da nossa vida pública é um verdadeiro desserviço de um importante meio de fiscalização em que se configura a nossa imprensa.

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