sexta-feira, 18 de junho de 2010

Rompimento político

O rompimento de Ciro com seu padrinho político Tasso Jereissati, parece-nos ainda uma coisa irreal, difícil de acreditar. Tantos anos ligados, tantas eleições juntas, e tantos pontos de vistas defendidos, uma união perfeita de mestre e discípulo. Mas como o ditado popular é objetivo e certeiro, o discípulo sempre ultrapassa o mestre, o racha entre esses dois ícones da política cearense torna-se fato incontestável. Não poderia ser diferente, já que ambos assumiram posturas políticas divergentes na última década. Ciro e Tasso estiveram em lados opostos, e na política, de homens sérios, que seguem suas convicções, a amizade passa ao largo, e um dia confrontam-se pela intensa paixão em que defendem suas idéias.

 

Em entrevista ao Valor Econômico, antes de ver sua candidatura ir para o espaço, Ciro afirmava: "O neoliberalismo não foi para a lata do lixo porque poderosos sustentam o defunto e inibem o enterro." Palavras que deixam claro a divergência de idéias entre os dois. Do rumo que o país deve seguir, e sinaliza qual o pensamento político que lhe norteia para, cada vez mais, distanciar-se do grupo político encabeçado pelo seu ex-padrinho político, Tasso Jereissati.

 

Nada mais natural que um dia essa divergência venha à tona e, superando os laços fortes da amizade, concorra para que o 'racha' evidencie-se, no período em que disputaremos as eleições mais importantes do estado do Ceará, e do Brasil. Porque o que está em jogo aqui no estado, para o grupo dos políticos ligados a Tasso Jereissati, é a sobrevida, o oxigênio escasso que alguns tucanos tentam respirar.

 

Se se confirmar o rompimento político do grupo hegemônico que governou o Ceará por duas décadas, está cumprido o papel dos opositores, que viram, nos Ferreiras Gomes, aliados de um novo caminho para a política cearense.

 

Voltaire infiltrava-se na Monarquia para de dentro derrubar seus alicerces... Talvez seja a estratégia que a oposição adotou aqui no Ceará.


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