Eu tinha doze garrafas de uísque na minha adega e minha mulher me disse para despejar todas na pia, porque se não... - Assim seja! Seja feita a vossa vontade, disse eu, humildemente. E comecei a desempenhar, com religiosa obediência, a minha ingrata tarefa.
Tirei a rolha da primeira garrafa è despejei o seu conteúdo na pia, com exceção de um copo, que bebi.
Extraí a rolha da segunda garrafa e procedi da mesma maneira, com exceção de um copo, que virei.
Arranquei a rolha da terceira garrafa e despejei o uísque na pia, com exceção de um copo, que empinei.
Puxei a pia da quarta rolha e despejei o copo na garrafa, que bebi.
Apanhei a quinta rolha da pia, despejei o copo no resto e bebi a garrafa, por exceção.
Agarrei o copo da sexta pia, puxei o uísque e bebi a garrafa, com exceção da rolha.
Tirei a rolha seguinte, despejei a pia dentro da garrafa, arrolhei o copo e bebi por exceção.
Quando esvaziei todas as garrafas, menos duas, que escondi atrás do banheiro, para lavar a boca amanhã cedo, resolvi conferir o serviço que tinha feito, de acordo com as ordens da minha mulher, a quem não gosto de contrariar, pelo mau gênio que tem.
Segurei então a casa com uma mão e com a outra contei direitinho as garrafas, rolhas, copos e pias, que eram exatamente trinta e nove. Quando a casa passou mais uma vez pela minha frente, aproveitei para recontar tudo e deu noventa e três, o que confere, já que todas as coisas no momento estão ao contrário.
Para maior segurança, vou conferir tudo mais uma vez, contando todas as pias, rolhas, banheiros, copos, casas e garrafas, menos aquelas duas que escondi e acho que não vão chegar até amanhã, porque estou com uma sede louca ...
Este texto é do inigualável Apparício Torelly, (o "Barão de Itararé), que também usou o pseudônimo de "Apporelly". Jornalista com humor desconcertante e como nas palavras dele próprio: "campeão olímpico da paz", "marechal-almirante e brigadeiro do ar condicionado", "cantor lírico", "andarilho da liberdade", "cientista emérito", "político inquieto", "artista matemático, diplomata, poeta, pintor, romancista e bookmaker"

Bom, como aqui é um espaço também para cultura, quero deixar registrado a derrota do Brasil para o Paraguai pelo placar de dois a zero. Para os brasileiros mais entusiastas do futebol canarinho, foi uma derrota vexatória. Ficou claro, pelo menos para mim, que atravessamos uma fase escassa de bons jogadores - tudo bem temos bons jogadores, mas isso qualquer seleção média tem - mas é visível que vivemos uma crise de craques. Essa geração é infinitamnte inferior à que perdeu a última copa, e essa mesmo já uma decadência da anterior; os que ainda se destacam, só jogam bem em seus próprios clube.
Vejamos as coisas como elas realmente são; camisa, tradição, nome...isso nunca ganhou jogo.
Ouvi até narrador dizer que o Brasil não tem o direito de jogar na defesa e receber pressão. Quer dizer então que o outro time adversário tem o dever de não atacar o Brasil? Que absurdo! Somente esses narradores anacrônicos não percebem que a história anda e que é bom ficar de olhos bem atentos ao presente, pois pode ser que seja ultrapassado até mesmo no seu próprio continente.

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