Por Luis Nassif em 22/5/2008
No dia 24 de janeiro de 2008, o diretor de redação de Veja, Eurípedes Alcântara, proferiu palestra para os alunos do Curso Abril de Jornalismo (clique aqui).
No intertítulo "As marcas de Veja", Eurípedes descreve a receita de jornalismo praticado pela revista.
"O Diretor de Redação expôs alguns pontos essenciais para a produção da revista. Um deles é o controle que o repórter precisa ter sobre a matéria. `Não é a pauta ou a fonte que têm de dominar o jornalista´, disse."
Provavelmente, nem a informação pode servir de limitação. Segundo a aula de Eurípedes, Veja pratica o conceito de "escrever pensando":
"Outro ponto é a diluição de conteúdo opinativo em meio às reportagens, a qual Eurípedes chama de `escrever pensando´. O jornalista ponderou sobre as diversas interpretações dos críticos sobre determinadas reportagens da revista. `Você só pode ser cobrado por aquilo que escreve. Não pelo que interpretam´."
Cobrado pela capa das FARCs, explicou o que a revista fez:
"A Veja disse que a Abin estava investigando. Não disse que Lula recebia de guerrilheiros. Isso é uma interpretação".
De fato, tudo não passou de uma grande interpretação. Com direito a capa.
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Apesar da comoção popular sobre o caso da menina Isabella, tenho na verdade como principal interesse nesse lamentável acontecimento, uma curiosidade direcionada para o tipo de comportamento que vai delinear a ação do indivíduo naquele trágico momento. A madrasta agrediu a enteada estrangulando-a após outras agressões físicas, que culminou no seu desfalecimento; depois, o pai suscetível e desorientado no próprio rodopiar do acontecimento joga a filha do 6º andar do edifício onde morava. Eu pergunto: que espécie de valores se sobrepujaram aos de justiça, quando todos os parentes de ambos os declaravam inocentes? Será a família uma instituição mais importante do que o dever cívico? É mais importante para a sociedade a união familiar do que denunciar quem quer que seja culpado de um ato brutal que presenciou? O pai foi cúmplice na morte da filha; não por ter dado um desfecho jogando o corpo inerte da filha pela janela, mas porque decidiu manter uma convenção chamada família no caminho de um bom julgamento, livre de paixões e afetos. Participando do crime e protegendo Anna Carolina, alegando inocência de ambos, Alexandre Nardoni fez uma clara escolha entre sua família atual e a antiga, entre o bem-estar dos seus dois filhos com Anna Carolina e a menina Isabella - filha de um outro relacionamento. A própria instituição família, consagrada como sendo a base da sociedade foi quem proporcionou e proporcionará ainda em muitos casos o fator determinante para a escolha entre fazer o que é prudente, racional e moralmente correto ou optar por encobrir um assassino ou assassina. Um pai decente e com comprometimento cívico - ou pelo meno com sentimento de pai - vendo que a madrasta matou estrangulado seu filho ou sua filha pegaria seus outros filhos e denunciaria a mesma para a polícia; mas não o fez e tentou criar um ambiente para livrar sua mulher da culpa. Eis mais uma pergunta: Alexandre Nardoni gostava tanto assim de Anna Carolina? Será que o Amor é cúmplice direto nessa tragédia? Nietzsche uma vez afirmou: um homem que se inclina à sua consciência deve ser capaz de amar seus inimigos e odiar seus amigos. Um país em que as pessoas não fazem uso da consciência e da razão para julgar como deve proceder em determinadas situações é um país, aos olhos de todo o mundo, de bárbaros e gente pouco confiável.
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