domingo, 18 de novembro de 2007 2 comentários

As pensões da cidade

por Zenilo Almada Já quase não se ouve falar nas mulheres das pensões altas ou alegres, como eram conhecidas na década de 1950. Suas proprietárias foram morrendo e as ´borboletas noturnas´ foram banidas para outros locais fora do perímetro central, mas continuaram seus encontros para deleite da juventude da época, renovado sempre o plantel. Busquemos um pouco no espaço das ´odaliscas´ e façamos um percurso ao Centro da cidade, à noite, para vermos onde elas ficavam costumeiramente encasteladas a esperar um parceiro de qualquer idade, embora houvesse as preferências no íntimo, para vender amor a retalho... e a quem melhor pagasse, ou atender às solicitações íntimas... Leia aqui O advogado Zenilo Almada em seu empenho jurídico viveu experiências que hoje transforma em textos, recuperando a memória de nossa cidade.
sábado, 17 de novembro de 2007 2 comentários

Copos & Gelos

Começo de madrugada. Faço mais uma dose de uísque. Duplo dessa vez. É, tenho que encarar logo isso. Esse gelo será o bastante para o resto da noite? Sei lá! Não tem importância. Acabo mesmo bebendo de qualquer jeito! Meu problema é aquele cachoro lá fora. Tenho que depois resolver de alguma forma. Talvez minha vó vá sentir falta! Mas e quanto a mim? Meu sono não é mais nobre do que a vida noturna desse cão? Olho um blog. Converso no msn. Do outro lado uma pessoa me exige poesias de improviso! Sou nordestino mas não tenho a veia artistica dos repentistas. A palavra é calma, fluir da alma, leveza dos dedos tocando o teclado do computador, como se toca um piano alemão. E mais uísque e a vontade de acabar logo com isso. Vou na varanda. Quem sabe um vento com aromas de flores me sussurre e me proponha algo doce e perfumado? Um cheiro que me encha o peito de vontade, que me tire da inércia, junto com cada gole do meu uísque me traga uma idéia saborosa, nova e emocionante. Talvez eu escreva sobre você. Ou talvez não! Quem sabe o meu espírito na ausência da dor e da alegria ainda consiga fazer eu dizer que sem você tudo é ansiedade? Mas claro que consigo. A garrafa já tá no fim. E ainda balbucio coisas antes que o sono me pegue...
sexta-feira, 16 de novembro de 2007 1 comentários

Porque no te callas América Latina?

A repercussão do episódio do desentendimento entre o rei de Espanha Juan Carlos e o presidente eleito da Venezuela Hugo Chávez, ainda ecoa como uma enfática e brilhante afronta ao líder mais odiado da América Latina. Nossos jornalistas não se cansam de aplaudir, e na sua euforia dão vivas ao rei com um saudosismo anacrônico e sem sentido. Viram a capa da Veja desse mês? Nada menos que o rei d. Pedro II. A figura do rei nos assuntos políticos e econômicos dos países que ainda optam por uma monarquia parlamentarista, é tão ou menos importante quanto a figura do bobo-da-corte nas antigas monarquias absolutistas da época medieval. Uma frase que poderia ser dita por qualquer briga de vizinhos na periferia de uma dessas cidades da Espanha foi elevada a status comparáveis a frases de grandes escritores espanhóis, dentre eles Miguel de Cervantes. Convenhamos, um rei não teria algo mais sublime, substancial e inteligente para falar a um representante do povo? Ou por isso mesmo, por ser um simples representante do povo, e do povo da Venezuela ainda mais, sua majestade achou por bem falar algo tão sem conteúdo e impulsivo como um “porque no te callas?” Mas o contexto que fez com que Chávez recebesse essa reprimenda pelo rei, não foi colocada no plano da discussão. As denúncias feitas pelo presidente eleito Hugo Chávez, como sempre acontece na nossa mídia, foi desviada para o ataque pessoal da figura do presidente. Ele denunciou a participação da Espanha, na figura do seu ex-primeiro ministro José Maria Aznar, no golpe que o tirou do poder por um dia em 2002, e sendo reconduzido novamente à presidência pelo povo. Onde fica o debate sobre a soberania dos países da América Latina? Será que deixaremos esse debate apenas na voz de um lider socialista com pouco recursos teóricos? deixaremos Hugo Chávez afrontar sozinho e de peito aberto os grandes usurpadores das nossas riquezas?
domingo, 11 de novembro de 2007 1 comentários

Jornalistas. Atirem!

De Luiza Matos Estudante de jornalismo É dever do jornalista denunciar a realidade. Muito irônico da nossa parte, passar horas entretidas com o lazer dos nossos textos intimistas. Mas que não está favorecendo em nada ao mundo. Como já dizia Alberto Dines: “Antes de dormir, pergunte a você mesmo se naquele dia ajudou a humanidade.”. Certamente não é tarefa fácil falar dos momentos em que estamos indo exercer nossos cargos diários e nos deparamos com crianças e adolescentes nos sinais, fazendo qualquer espécie de malabarismo para que chamem nossas atenções em nossos carros confortáveis, com ar condicionado. Quando o sinal se aproxima do momento de abrir, já é hora de baterem em cada janela e tentar receberem seus trocados. Quando não ignoramos acelerando rapidamente, damos qualquer moeda e saímos com a sensação de que estamos fazendo um grande bem pra humanidade. Será que estamos mesmo? E depois dos sinais, para onde vão aquelas crianças? Será que para suas escolas públicas de péssimas estruturas e ensino? Ou vão para o beco mais próximo trocar toda a esmola por drogas? Quando saímos em Fortaleza nos sábados a noite, colocamos a prostituição como plano de fundo da cidade e continuamos nossa curtição. Isso é, quando não se aproveita qualquer garotinha pra enfeitar o passeio. Ninguém vai atrás de saber o motivo pelo qual elas tão seguindo esse caminho, a educação que tiveram em casa, o abuso sexual muitas vezes cometido pelos próprios familiares. Sem falar das vezes em que seus pais necessitaram da assistência do governo, nos hospitais públicos, que eles mesmos pagam com seus impostos, e não a tiveram. Estando à beira da morte, esperam por alguma vaga para serem atendidos, mas o critério de escolha para serem consultados é: ainda tem como escapar com vida? Ou vamos ocupar leitos com pessoas quase mortas? Esse estado de decadência no setor público muitas vezes faz com que meninas ainda muito novas vão para as ruas venderem seus corpos, muitas vezes estando eles até em “promoção”, por qualquer dois reais. Onde ficam os jornalistas nessa história? Vão continuar ocultando em suas matérias toda essa realidade? Permanecerão escrevendo textos medíocres para continuarem em seus “jornaizinhos” fazendo a vontade dos burgueses, interessados apenas na lucratividade, que descaradamente exigem textos objetivos, lhe deixando passivos a essa disparidade social do Brasil. Atirem sim, jornalista! Atirem na presidência educacional, onde nada se faz para melhorar a base pública do país. Atirem na decadência social da sua cidade. Escrevam, formem pautas, revelem claramente o que vemos todos os dias, mas que nossos olhos não se surpreendem mais. Não deixem que o Brasil seja cada vez mais referência, no exterior, de prostituição e pobreza. Não que isso seja o mais importante, mas devido essa fama estrangeiros vêm buscar aqui meninas para exportarem como produtos e intensificar a prostituição. Toda essa realidade pode ser comum, entretanto jamais podemos tornar essas mazelas aceitáveis. Luiza Matos é estudante de jornalismo da FA7. Tem um blog muito interessante com textos muito bem escritos. O seu blog 'Pedaços Meus' é um dos blog que coloco como dica aí do lado
sábado, 10 de novembro de 2007 1 comentários

A realidade de um país das elites.

Pensemos juntos. O Brasil com a descoberta de uma nova reserva de petróleo se consolidará como um país auto-suficiente e poderá até ser um país exportador. Então ótimo! O País é rico em petróleo, rico em energias alternativas, tem a maior concentração de água doce do planeta( uma riqueza cada vez mais rara!), a maior floresta do mundo, etc, etc, etc...Deveríamos ficar alegres com isso, não é verdade? Só que não é bem assim. Inúmeros relatórios dão conta da disparidade que é a realidade miserável e desigual do Brasil e a sua riqueza. Entidades que elaboram relatórios econômicos de países em desenvolvimento se questionam: Como o Brasil tão rico como é, consegue ser tão desigual? É amigos. Pergunte à nossa elite.
sábado, 3 de novembro de 2007 3 comentários

Vamos flanar por aquele logradouro?

Ah! belos tempos aqueles. Inesquecíveis. Damas e cavalheiros de mãos dadas como se tivessem caminhando por bulevares parisienses. Tempo em que a França ditava modas e costumes na nossa Fortaleza. Senhores com trajes bem alinhados, senhoras elegantes, fontes, arvores, cafés, gente culta e interessante. É claro que falo de um tempo em que não havia shoppings. Nos shoppings as pessoas se esbarram, nas praças as pessoas se encontram. Essa diferença no contato é bem interessante para tentarmos entender um pouco do que seria esse homem moderno de hoje. O Passeio Público no centro de Fortaleza era o lugar de encontros das diferentes classes sociais da nossa cidade. É com alegria que recebo a notícia de que a Prefeitura de Fortaleza terminou sua revitalização e nos entrega um Passeio Público revigorado, com segurança e projetos culturais para não cair no abandono e sofrer toda a sorte de ações de vândalos. Penso que se todos os nossos comerciantes, que trabalham naquela região, parassem para refletir que eles são a parte que mais ganharão com a revitalização dos principais pontos turísticos do Centro, teríamos um lugar mais seguro, limpo e agradável. Mas na visão estreita dos comerciantes do centro da capital isso é trabalho apenas da prefeitura. Vamos torcer para que o Passeio Público não caia no esquecimento novamente e traga histórias divertidas e curiosas como em tempos passados.
 
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